Prefeitura de São Paulo afasta servidor ligado a investigação sobre contratos da produtora do filme ‘Dark Horse’

A Prefeitura de São Paulo afastou Rodrigo Raveli Bolzan, gerente da SPTuris, empresa municipal de Turismo, que está sendo investigado pela Controladoria-Geral do Município no processo que apura a contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme Dark Horse.

Antes de ocupar o cargo na SPTuris, Bolzan foi sócio da Complexys Soluções Integradas, uma das empresas investigadas pela Polícia Civil em inquérito que apura suspeitas de desvio de recursos da prefeitura destinados ao ICB e que teriam sido usados na produção do longa-metragem sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A SPTuris manteve contratos no valor de R$ 12 milhões com a Complexys, e Bolzan era o servidor responsável pela fiscalização de parte desses contratos, segundo reportagem do portal Metrópoles.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o afastamento ocorreu para evitar dúvidas e que a Controladoria abriu uma apuração sobre o caso. “Ele está afastado das funções. Foi aberta uma apuração pela Controladoria. Está sendo apurado”, disse Nunes em entrevista coletiva no dia 9 de junho de 2026, após inauguração de uma unidade de saúde na zona sul da capital.

“A gente não quer deixar, em nenhuma hipótese, qualquer tipo de dúvida sobre qualquer situação”, acrescentou o prefeito, que prometeu que o processo de investigação será rápido e célere. “Identificada alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido.”

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Complexys, localizada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, durante operação que investigou os contratos da produtora do filme Dark Horse na semana anterior.

A investigação policial apura suspeitas de fraude em licitação e superfaturamento em um contrato de R$ 108 milhões da gestão Nunes com o ICB para fornecimento de wi-fi gratuito em pontos da periferia.

Segundo a Polícia Civil, há confusão patrimonial entre as contas da entidade e indícios de que parte dos recursos pagos pela prefeitura ao ICB foram transferidos para a produtora Go UP Entertainment, responsável pela produção do filme.

A Complexys foi subcontratada pelo ICB para fornecer o serviço de wi-fi, e a polícia investiga a regularidade de R$ 2,4 milhões em notas fiscais emitidas pela empresa para o instituto, que teriam sido apresentadas na prestação de contas à prefeitura, mas canceladas no mesmo dia da emissão.

O ICB declarou que colabora com as investigações e contratou perícia e auditoria especializada para apoiar o processo.

O filme Dark Horse retrata o atentado contra Jair Bolsonaro ocorrido em 2018. O site The Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens que mostram Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento da produção, que teria recebido R$ 61 milhões.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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