Políticos e ativistas de direita que historicamente criticaram decisões judiciais consideradas censuras, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF), mudaram seu posicionamento ou permaneceram em silêncio após a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da Atlas/Bloomberg pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na segunda-feira (8).
A pesquisa, divulgada em 19 de maio, indicava um recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. A Folha de S.Paulo consultou 14 dessas personalidades que anteriormente denunciaram supostos ataques à liberdade de expressão por parte do Judiciário, principalmente em decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Dos 14 procurados, apenas quatro responderam. Três apoiaram a decisão judicial: as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF) e Rosana Valle (PL-SP), além do vereador Adrilles Jorge (União Brasil-SP). O ex-deputado Fabio Ostermann (Novo-RS) foi o único a se posicionar contra, classificando a medida como “equivocada” e um “flerte com o autoritarismo”.
Ostermann afirmou que a decisão integra uma série de excessos do Judiciário desde o inquérito das fake news, que, segundo ele, abriu caminho para censuras sob a justificativa de defesa da democracia e combate à desinformação.
Nove outros políticos e ativistas, incluindo Helio Beltrão, presidente do conselho do Instituto Mises, e deputados federais como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Marco Feliciano (PL-SP), não se manifestaram até a tarde de quinta-feira (11).
Bia Kicis defendeu que a decisão de Kassio não configura censura, argumentando que “pesquisa não pode ser usada como instrumento de propaganda política disfarçada” e que questionar a metodologia de um levantamento é diferente de censurar a expressão de ideias.
A decisão do presidente do TSE é provisória e ainda será analisada pelos demais ministros da corte.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








