Em meio a um contexto de crise democrática no Brasil, o livro Como Desarmar o Autoritarismo no Brasil: Uma Agenda para a Desradicalização será lançado no dia 13 de junho de 2026. Organizado por Conrado Hübner Mendes, diretor do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (Laut) e colunista da Folha, Fernando Romani Sales, pesquisador do Laut, e Lucas Petroni, professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a obra reúne treze pesquisadores que analisam os fatores que permitiram o avanço do autoritarismo no país e apresentam caminhos para revertê-lo.
O livro chega três anos após a publicação do primeiro volume da coleção, O Caminho da Autocracia, e segue a linha dos cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, que estudaram a derrocada e a proteção da democracia.
Os autores destacam que a ascensão de Jair Bolsonaro, ex-presidente que em 2022 tentou reverter os resultados eleitorais com apoio da cúpula militar, não foi fruto apenas da radicalização de grupos, mas resultado de estruturas e instituições que permitiram o avanço do autoritarismo.
Para a desradicalização e proteção da democracia, o livro aponta três vetores fundamentais: o fortalecimento do controle civil sobre o poder político e instituições, incluindo as Forças Armadas; a afirmação da imparcialidade das instituições estatais para garantir a legitimidade democrática; e a garantia do pluralismo, respeitando a diversidade e promovendo a participação cívica e a contestação política.
Entre os exemplos citados de falhas institucionais recentes estão a partidarização das polícias durante o governo Bolsonaro, a intervenção das Forças Armadas no processo eleitoral e ações da Polícia Rodoviária Federal em 2022 para impedir o deslocamento de eleitores.
O lançamento da obra ocorre em um momento de reflexão sobre os desafios para consolidar a democracia brasileira após episódios como o protesto golpista em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram o Palácio do Planalto em Brasília.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









