Na vitória dramática da seleção brasileira sobre o Japão, por 2 a 1, na segunda-feira (29), Vinicius Junior destacou-se como principal inspiração do time. O atacante do Real Madrid protagonizou uma jogada individual que quase resultou em gol, defendida pelo goleiro japonês Zion Suzuki. O gol da vitória foi marcado por Gabriel Martinelli aos 50 minutos do segundo tempo, após o empate de Casemiro.
O resultado foi celebrado no melhor estilo corintiano: sofrido e na raça, com a seleção mostrando maturidade para reagir após sofrer um gol de bola parada do Japão, nascido de um erro no meio-campo brasileiro.
Racismo e resistência
Vinicius Junior, além de sua performance em campo, tem sido alvo constante de racismo, especialmente durante sua carreira na Espanha. Em 2023, em partida do Real Madrid contra o Valência no estádio de Mestalla, o atacante foi vítima de insultos racistas, sendo chamado de “macaco” por parte da torcida, o que levou à paralisação do jogo. Na mesma temporada, um boneco com sua camisa simulando um enforcamento foi exibido em um jogo contra o Atlético de Madri, acompanhado da faixa “Madrid odeia o Real”.
Em oito anos no Real Madrid, Vinicius já denunciou 20 casos de racismo contra ele, evidenciando a violência enfrentada por jogadores negros no futebol europeu.
O sociólogo e professor da Fundação Getulio Vargas, Márcio Macedo, corintiano e autor do texto, lembra a reflexão da escritora afro-americana Toni Morrison, ganhadora do Nobel de Literatura em 1993, que definiu o racismo como uma distração que impede as pessoas negras de realizarem o que realmente importa. Essa visão ressoa na trajetória de Vinicius Junior, que segue brilhando apesar dos obstáculos.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









