Em um ato histórico, a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Guimarães Rocha, pediu perdão à sociedade brasileira pelos equívocos judiciários cometidos pela Justiça Militar Federal durante o regime autoritário. A declaração foi feita em outubro de 2025, durante cerimônia inter-religiosa na Catedral da Sé, que marcou os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog.
Maria Elizabeth, primeira mulher a presidir o STM, destacou que o tribunal errou em casos emblemáticos, como os do ex-deputado Aldo Arantes, da jornalista Miriam Leitão e de seu próprio cunhado, militante do MR-8, que foi preso, torturado e morto pela ditadura militar. “Que justiça foi essa?”, questionou a ministra, ressaltando que o pedido de perdão faz parte de um processo de reparação e de compromisso com a não repetição dos erros do passado.
Nomeada para o cargo pelo presidente Lula em 2007, Maria Elizabeth Rocha tem uma trajetória marcada pela atuação progressista e feminista. Ela é casada com o general Romeu Costa Ribeiro Bastos, e seu cunhado, Paulo Costa Ribeiro Bastos, foi uma das vítimas da repressão durante o regime militar.
A fala da presidente do STM gerou reações dentro da corte, incluindo críticas do ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, que sugeriu que ela estudasse mais a história para opinar sobre o tema. No entanto, Maria Elizabeth reafirmou seu posicionamento, afirmando que continuará a falar em nome da instituição enquanto estiver na presidência.
Maria Elizabeth também refletiu sobre os eventos de 8 de janeiro, afirmando que “chegou-se ao 8 de Janeiro por tolerarmos o que era intolerável”, indicando a necessidade de vigilância constante para preservar a democracia.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









