Pesquisa Datafolha revela maior apoio de homens, evangélicos e eleitores de Bolsonaro à decisão dos EUA que classificou facções brasileiras como terroristas

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de junho de 2026 aponta que homens, evangélicos e eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são os grupos que mais concordam com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

A decisão foi tomada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no final de maio de 2026 e entrou em vigor no início de junho, contrariando o governo do presidente Lula (PT). Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que “a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada por traidores”.

Principais resultados da pesquisa

  • 83% dos brasileiros tomaram conhecimento da medida;
  • 59% concordam com a classificação das facções como terroristas, enquanto 33% discordam;
  • Entre os homens, 53% concordam totalmente e 12% parcialmente, contra 38% e 16% das mulheres, respectivamente;
  • 47% dos homens se dizem bem informados sobre o tema, contra 25% das mulheres;
  • 70% dos evangélicos concordam com a medida, contra 56% dos católicos;
  • 81% dos eleitores de Jair Bolsonaro em 2022 apoiam a decisão, enquanto 38% dos eleitores de Lula concordam;
  • Por região, Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam índices de concordância entre 60% e 64%, e o Nordeste, 53%;
  • 65% dos jovens entre 16 e 44 anos e 64% dos entrevistados com ensino superior concordam com a medida.

Contexto e impactos

A legislação antiterrorista dos EUA permite que o país investigue, sancione e processe pessoas físicas ou jurídicas mesmo fora de seu território, principalmente no aspecto financeiro. Desde a entrada em vigor da medida, instituições americanas podem punir empresas que não bloquearem clientes com ligações às facções.

Empresas brasileiras já começaram a revisar seus dados internos para identificar possíveis conexões com o PCC ou CV entre clientes, fornecedores e prestadores de serviço.

O governo brasileiro, liderado por Lula, tentou evitar ou postergar a decisão, temendo intervenções americanas e desgaste eleitoral, já que o presidente busca a reeleição.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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