O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), chega a Brasília nesta quarta-feira (24) com o objetivo de convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a mantê-lo no cargo até o início do recesso parlamentar, marcado para 19 de julho, mesmo diante da ameaça de afastamento.
Wagner nega as acusações de favorecimento ao Banco Master no Congresso e argumenta que não há motivos para pedir licença da liderança neste momento. O senador também destaca que seu afastamento pode prejudicar o palanque de Lula na Bahia, estado estratégico para a campanha de reeleição do presidente.
Apesar disso, auxiliares do presidente afirmam que Lula pretende persuadir Wagner a entregar o cargo, e que, caso contrário, poderá afastá-lo da liderança.
Até a noite de terça-feira (23), o encontro entre Lula e Wagner ainda não estava oficialmente agendado, mas há expectativa de que ocorra nesta quarta.
O senador tem mantido a contestação judicial à operação da Polícia Federal que o investigou. Ele apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a decisão do ministro André Mendonça que autorizou buscas em seus endereços, alegando erros graves na medida.
Aliados também ressaltam a amizade de mais de 48 anos entre Wagner e Lula, que o senador usa para tentar convencer o presidente a mantê-lo na liderança.
Com aval de Lula, ministros e aliados iniciaram na semana passada uma operação para persuadir Wagner a deixar o cargo, considerando insustentável sua permanência. A expectativa era que o próprio senador tomasse essa iniciativa.
Após a operação da PF, o governo buscou blindar o presidente e conter a repercussão negativa, que interrompeu uma sequência de notícias positivas para Lula.
Emissários do Planalto argumentam que a permanência de Wagner na liderança mantém os holofotes sobre ele, dificultando sua defesa.
No dia da operação, Lula telefonou duas vezes para Wagner, que ressaltou a amizade e a confiança do presidente em sua integridade. Ministros afirmam que essa solidariedade não garante a manutenção do cargo, mas visa incentivar Wagner a deixar a liderança para se dedicar à defesa.
Fontes próximas ao presidente afirmam que Lula gosta de Wagner, mas ficou contrariado com declarações do senador que o envolveram diretamente, levando o problema para dentro do Palácio do Planalto.
Em entrevista à BandNews TV, Wagner destacou a confiança de Lula em sua integridade, afirmando: “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









