O presidente Lula (PT) tem intensificado sua agenda no Rio de Janeiro como parte de uma estratégia para aproveitar a fragilização do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) na base eleitoral do estado.
Desde a nomeação do desembargador Ricardo Couto como governador interino, cuja gestão no Palácio Guanabara tem sido bem avaliada pelo eleitorado segundo pesquisas internas, Lula tem buscado fortalecer sua presença. Couto tem promovido auditorias em contratos e exonerado possíveis funcionários fantasmas, o que contribui para essa avaliação positiva.
Na segunda (22) e terça-feira (23), o presidente participou de cinco eventos ao lado do governador interino. O principal deles foi a assinatura do termo de adesão do Governo do Rio de Janeiro ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), que permite o refinanciamento da dívida estadual com a União mediante contrapartidas, como investimentos em educação.
A dívida do estado, atualmente em R$ 210,6 bilhões, deve cair para R$ 168,5 bilhões. A parcela mensal paga pelo Rio terá redução média de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões a partir de julho, gerando um alívio de R$ 3 bilhões só neste ano.
Lula também assinou convênios do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para obras em três favelas, totalizando R$ 700 milhões.
Durante os eventos, Couto manteve postura neutra, destacando que não é político, mas agradeceu a assinatura do Propag, chamando-a de “presente” e símbolo da “união, que hoje felizmente temos no Rio de Janeiro”.
Além do Rio, a União negocia adesão ao programa com São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
O presidente ressaltou o contraste com a gestão anterior de Cláudio Castro (PL), aliado de Flávio Bolsonaro. Ao anunciar os investimentos, Lula puxou Couto pelo braço, pediu aplausos para ele e afirmou que o governador interino tem uma “tarefa muito nobre”: “É tentar moralizar a política e acabar com a corrupção no Rio de Janeiro”.
O movimento de Lula ocorre em meio ao enfraquecimento do palanque de Flávio no estado, especialmente após Cláudio Castro abrir mão da pré-candidatura ao Senado em maio, após ser alvo de operações da Polícia Federal relacionadas a empresários.
O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, teve frustrado seu plano de assumir o Palácio Guanabara para ampliar sua visibilidade, já que o STF determinou a permanência de Couto no cargo até decisão final dos ministros.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









