A operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), provocou temor no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao trazer a crise do Banco Master para o Planalto e afetar o discurso da campanha petista contra Flávio Bolsonaro (PL).
Jaques Wagner, além de líder do governo no Senado, é uma figura influente no PT e possui relação pessoal com Lula, que o chama de “meu galego”. Fundador do partido, Wagner governou a Bahia e foi ministro da Defesa e da Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff (PT).
Após a operação, Lula e Wagner conversaram, com o senador relatando que o presidente fez questão de ligar para se solidarizar. Wagner negou ter recebido repasses do Banco Master, em entrevista à Band.
Entretanto, aliados indicam que Lula considera insustentável a permanência de Wagner na liderança do governo, esperando que o senador entregue o cargo. Ministros e integrantes do Governo da Bahia, com aval do presidente, tentam convencê-lo a deixar a função até, no máximo, 22 de junho de 2026.
Lula telefonou duas vezes para Wagner após a operação, mas não discutiram sucessão devido ao abalo emocional do senador. O presidente sugeriu que Wagner concedesse entrevista para esclarecimentos, mas dentro do governo as explicações foram consideradas insuficientes.
Um grupo dentro do governo avalia que Wagner falhou em articulações recentes, como na derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, e que seu rompimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), inviabilizou sua permanência no cargo. Contudo, há entendimento de que Lula pode ter perdido o momento ideal para a troca.
Em reuniões privadas, Lula já havia questionado Wagner sobre sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e o senador negou envolvimento no caso, alegando que as relações comerciais sob suspeita ocorreram durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Ministros do governo se mostraram surpresos com a revelação de vínculos entre o núcleo familiar de Wagner e Augusto Lima.
Após a operação, Wagner desabafou citando políticos investigados no caso que não foram alvo da ação da PF e afirmou que, assim como na Lava Jato, vai superar a crise.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









