O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estabeleceu um prazo de 15 dias, sem possibilidade de prorrogação, para que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, regularize a prestação de contas final de um convênio no valor de R$ 1 milhão. O recurso foi financiado por emenda do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e já foi totalmente repassado à entidade. O prazo original para a entrega da prestação de contas venceu em 11 de abril de 2026.
Karina Gama é também sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A divulgação de diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em que ele solicitava recursos a Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, para financiar o longa, gerou repercussão na pré-campanha presidencial do senador.
Segundo o ministério, caso a documentação completa não seja entregue até o início de julho, serão iniciados os procedimentos para a declaração formal de inadimplência da ONG, o que pode resultar na inscrição do Instituto Conhecer Brasil em cadastros restritivos do governo, como Cadin, Siafi e Transferegov.
O ofício com a determinação foi emitido em 17 de junho. Em caso de não regularização, o ministério prevê a abertura de uma Tomada de Contas Especial para apurar os fatos, calcular eventuais prejuízos aos cofres públicos e identificar os responsáveis.
O convênio previa o desenvolvimento de uma metodologia de letramento digital e empreendedorismo para estudantes do 4º e 5º anos do ensino fundamental da rede municipal de Pirassununga (SP). Contudo, conforme apurado pelo UOL, o projeto não foi realizado na cidade, com diretores de escolas, moradores e a prefeitura afirmando desconhecer a iniciativa e não haver registros da execução.
O prazo de execução do convênio terminou em 11 de janeiro de 2026, e a prestação de contas final deveria ter sido apresentada até 11 de abril, 90 dias após o encerramento. Em 22 de maio, o instituto solicitou prorrogação do prazo, que foi negada pelo ministério em 2 de junho, por ter sido feita fora do prazo previsto.
Em 28 de maio, a ONG enviou um relatório parcial, considerado insuficiente pelo ministério, que ainda não publicou uma avaliação final sobre o documento.
O ICB e Karina Gama não responderam aos pedidos de entrevista até a publicação da matéria.
Em outro caso, o Instituto Conhecer Brasil foi cobrado pelo Governo do Distrito Federal por falhas na execução de um convênio na área de educação, envolvendo a entrega de kits de robótica com problemas, falta de suporte técnico e ausência de documentação final. Na ocasião, a ONG negou irregularidades e afirmou que as atividades previstas foram realizadas.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









