Após 90 dias de prisão domiciliar concedida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro (PL) chega ao fim do período em meio a dúvidas sobre a prorrogação da medida, que depende da avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio ministro.
O período de prisão domiciliar, iniciado em março após internação por pneumonia causada por crises de soluço, foi marcado por agravamento do isolamento político do ex-presidente e melhora parcial de sua saúde, embora seu estado ainda seja considerado frágil por médicos próximos.
Na última semana, a apreensão de uma arma pertencente a Bolsonaro, transportada por um de seus seguranças para conserto, foi apontada por Moraes como uma “falta grave” que pode levar ao fim da prisão domiciliar. A PGR, por sua vez, solicitou aguardar o andamento das investigações antes de se posicionar.
Interlocutores do ex-presidente acreditam que Moraes tende a encerrar a prisão domiciliar, mas destacam que a opinião da PGR e a posição de outros ministros do STF, que preferem a manutenção da medida, podem influenciar a decisão final.
Bolsonaristas alertam que o retorno do ex-presidente para a prisão na unidade conhecida como Papudinha poderia fortalecer a campanha eleitoral do seu filho Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, ao criar uma narrativa de perseguição política, além de colocar em risco a saúde de Jair Bolsonaro.
Durante o período de prisão domiciliar, o contato de Bolsonaro com o mundo político ficou restrito, concentrando-se principalmente em Flávio Bolsonaro, considerado o principal porta-voz do ex-presidente. Michelle Bolsonaro, embora tenha divergências públicas com Flávio, tem focado nos cuidados com o marido e no apoio a candidatas do PL Mulher.
O monitoramento da prisão domiciliar é rigoroso: a Polícia Militar informa semanalmente a Moraes sobre as visitas recebidas por Bolsonaro, com limites de tempo para advogados e familiares. Desde 27 de março, Flávio Bolsonaro esteve com o pai 26 vezes, seja como advogado ou filho.
A prisão domiciliar foi autorizada após pedidos feitos pessoalmente por Michelle Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em razão do quadro de saúde do ex-presidente.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









