Com aval do presidente Lula (PT), ministros e aliados iniciaram nesta quinta-feira (18) uma articulação para convencer o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a deixar o cargo.
Segundo aliados, Lula considera insustentável a permanência de Wagner na liderança, mas não pretende destituí-lo, esperando que a renúncia seja uma iniciativa do próprio senador.
Aliados de Wagner, incluindo ministros e integrantes do Governo da Bahia, foram procurados por emissários do governo e também reconhecem a delicadeza da situação do senador.
A expectativa é que Wagner renuncie entre esta sexta-feira (19) e segunda-feira (22).
Na quinta-feira, após a Polícia Federal deflagrar uma operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, as conversas não abordaram a sucessão na liderança devido ao abalo emocional do senador.
Ministros afirmam que o gesto de solidariedade do presidente não garante a manutenção de Wagner no cargo, mas serve para que ele assuma a saída como uma decisão pessoal, alegando necessidade de dedicar-se à sua defesa.
Foi Lula quem sugeriu que Wagner concedesse uma entrevista para esclarecer os fatos, mas dentro do governo a avaliação é que as explicações foram insuficientes, o que deve gerar desdobramentos.
Aliados do presidente avaliam que a operação da Polícia Federal contra Wagner pode ser usada como argumento de defesa por Flávio Bolsonaro (PL), que foi gravado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro buscando recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em meio a suspeitas de que Wagner tenha recebido valores ligados ao Banco Master, ele ressaltou em entrevista à Band News TV a confiança de Lula em sua integridade. Após relatar um dos telefonemas do presidente, Wagner afirmou apostar na manutenção da liderança.
“Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, declarou.
Nona fase da Operação Compliance Zero mira Jaques Wagner e Augusto Lima
O senador afirmou que permanece na liderança do governo no Senado até segunda ordem: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”
Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom e afirmaram que não há definição sobre a permanência de Wagner.
Na quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, autorizados pelo ministro do STF André Mendonça, em endereços na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
Foram feitas buscas em locais ligados a Wagner e ao senador Augusto Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde Wagner reside.
Policiais também estiveram na casa em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e da esposa dele, Bonnie Bonilha.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









