A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele solicitou o conserto de uma pistola após identificar uma falha no equipamento, mas negou qualquer relação entre esse pedido e o término da prisão domiciliar, previsto para o dia 25 de junho de 2026.
Segundo os advogados, devido ao uso de medicações psiquiátricas que podem afetar a cognição de Bolsonaro, sua equipe de segurança removeu o percussor da pistola, tornando-a inoperante. O ex-presidente, sem saber dessa medida, teria percebido o problema e determinado a manutenção da arma.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia dado 24 horas para que a defesa explicasse a situação da arma, apreendida em 15 de junho durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF). Moraes questionou a razão de o condenado manter uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e por que solicitou o reparo pouco antes do fim da prisão domiciliar.
A pistola Glock calibre 9 milímetros estava com o militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança de Bolsonaro, conforme registro no STF. Estácio se apresentou como membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), informação negada pelo órgão.
Estácio foi levado à delegacia e afirmou que levava a arma para conserto devido a uma pane, com intenção de devolvê-la no dia 16 de junho. O sistema Sigma do Exército confirmou que a pistola pertence ao ex-presidente.
O ministro Moraes também solicitou que o batalhão da PM responsável pela segurança da prisão domiciliar informe se os procedimentos de revista nos veículos que saem do condomínio de Bolsonaro estão sendo realizados. A PM respondeu que realiza varreduras nos habitáculos e porta-malas dos carros, mas que os veículos usados pelo GSI ficam estacionados em via pública e não passam por vistoria.
Durante a blitz em Taguatinga (DF), o policial militar Davi Evangelista Alves relatou que a pistola foi encontrada no assoalho de um veículo oficial da Presidência da República, cujo motorista fechou o vidro de forma repentina. Inicialmente, Estácio afirmou que a arma constava em sua funcional, mas depois admitiu que a pistola pertencia a Bolsonaro e estava dentro do carro.
Em depoimento anexado ao processo da pena do ex-presidente, Estácio declarou que informou imediatamente que a arma era de Bolsonaro e que a levou para manutenção por causa de uma pane aparentemente simples de resolver.
Em nota, a PM informou que um militar do Exército que conduzia o veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após ser encontrada uma segunda arma de fogo no interior do carro, além da arma institucional regularmente portada. O abordado não possuía documentação da segunda arma e declarou que ela pertencia a terceiro, o que levou à condução da arma e do condutor à delegacia.
O GSI afirmou que Estácio não trabalhou no órgão durante o governo Lula (PT) e que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, incluindo Bolsonaro. Os servidores para essa função são indicados pelos próprios ex-mandatários.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 27 de março de 2026, após internação por broncopneumonia bacteriana. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista no país.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








