O jogador marroquino Achraf Hakimi, de 27 anos e capitão da seleção do Marrocos, será julgado por estupro na França, confirmou a Justiça francesa nesta sexta-feira (19). A decisão representa uma vitória judicial para a denunciante e uma oportunidade para Hakimi apresentar sua versão dos fatos.
Em fevereiro de 2023, uma jovem acusou o atleta do Paris Saint-Germain (PSG) de estupro, acusação que Hakimi sempre negou, classificando-a como falsa. Em fevereiro de 2026, a Justiça determinou o envio do caso a julgamento, decisão que foi contestada pelo jogador, mas confirmada pelo Tribunal de Apelação de Versalhes nesta sexta-feira, com base em indícios suficientes apontados pela investigação.
O anúncio ocorre enquanto Hakimi se prepara para disputar a segunda partida da seleção marroquina na Copa do Mundo 2026, contra a Escócia, válida pelo Grupo C, o mesmo do Brasil, que empatou com Marrocos por 1 a 1 na estreia.
Apesar das acusações graves, Hakimi, nascido em Madri, mantém o foco em sua carreira e em sua terceira participação em Copas do Mundo. A data do julgamento ainda não foi divulgada, mas o jogador afirmou nas redes sociais que aguarda o momento “com impaciência” para finalmente poder falar.
“Escolhi permanecer em silêncio durante anos. Pensei que manter minha dignidade, ser paciente e confiar na Justiça permitiria que as decisões corretas fossem tomadas”, disse Hakimi. Sua advogada, Fanny Colin, ressaltou que o envio a julgamento não implica culpa.
Por outro lado, a advogada da denunciante, Rachel-Flore Pardo, comemorou a decisão como uma “vitória judicial” que traz “alívio e esperança” à sua cliente, após mais de três anos de batalha judicial e acusações de calúnia feitas pela defesa do jogador.
Segundo relatos, a jovem conheceu Hakimi em janeiro de 2023 pelo Instagram e foi até a casa do jogador em um transporte por aplicativo solicitado por ele. Ela afirmou que Hakimi a beijou e tocou sem consentimento antes de cometer o estupro, conseguindo depois se afastar e pedir ajuda a uma amiga.
Hakimi foi indiciado e colocado sob controle judicial em março de 2023. Sua advogada criticou a investigação, alegando que só foi aberta devido ao vazamento do boletim policial para a imprensa, já que Hakimi é uma figura pública. Para a denunciante, o vazamento do depoimento ao jornal Le Parisien foi “o maior trauma de sua vida”.
Em entrevista ao site Mediapart, a jovem, identificada pelo pseudônimo Jeanne, afirmou desejar um julgamento para ser ouvida e que as pessoas acreditem em seu relato. Sua advogada destacou a dificuldade de ver o acusado ser ovacionado e ressaltou que ainda há um longo caminho na luta contra as violências sexuais no futebol masculino.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









