Em 18 de junho de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, apresentou em São Paulo seu plano de segurança pública intitulado “Brasil sem Medo”, que reúne 12 propostas. O lançamento contou com a presença do senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao Governo do Paraná, e do deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado.
Entre as medidas defendidas por Flávio Bolsonaro estão a construção de cinco presídios federais de segurança máxima baseados no modelo de El Salvador, a redução da maioridade penal, o endurecimento das regras para progressão de pena e a classificação de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O anúncio ocorre em meio a uma conjuntura em que a segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros, conforme pesquisa Quaest divulgada em junho de 2026, na qual 30% dos entrevistados apontaram a violência como o maior problema, superando corrupção (19%) e questões sociais (16%).
Entretanto, especialistas criticam o plano por falta de detalhamento e desconhecimento do sistema de segurança pública e justiça do país. Luiz Fábio Paiva, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirmou que o documento apresenta propostas genéricas, sem explicações sobre implementação, e que não considera os circuitos econômicos que sustentam o crime organizado, como o tráfico de drogas, envolvendo diversas camadas sociais e agentes públicos.
“São medidas populistas, sem evidência, que não atacam as causas reais da violência no país”, avaliou Paiva.
O analista de segurança e defesa Alessandro Visacro também classificou o plano como uma peça publicitária de campanha, com pouca aplicabilidade prática, e criticou o debate raso sobre segurança no Brasil, que carece de políticas de Estado consistentes.
Por sua vez, o advogado e professor de direito penal Gustavo Scandelari destacou um ponto positivo do pacote, que prevê o reforço logístico nas divisas do país. Segundo ele, o “sistema de fronteiras” pode representar um avanço ao melhorar as condições das forças de segurança pública, com investimentos em equipamentos como coletes balísticos.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









