Lula une Pix e Copa do Mundo para desgastar Flávio Bolsonaro em campanha eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus aliados estão utilizando dois temas de forte apelo popular — o Pix e a Copa do Mundo — como estratégia para desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista nas eleições de 2026.

O grupo político de Lula busca também disputar a simbologia das cores nacionais, verde e amarelo, que tradicionalmente representam a seleção brasileira de futebol, mas que nos últimos anos ficaram associadas ao bolsonarismo. O presidente, que demonstra incômodo com essa associação, reforçou esse posicionamento ao participar, no dia 24 de junho, da vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0 na Copa do Mundo.

Na ocasião, Lula recebeu no Palácio da Alvorada políticos como Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) para definir sua aliança em São Paulo. Em seguida, assistiram juntos à partida, todos uniformizados com a camisa da seleção brasileira, e publicaram fotos do encontro.

Por sua vez, Flávio Bolsonaro tenta manter os símbolos do futebol nacional vinculados ao seu grupo político. Recentemente, divulgou um vídeo produzido por inteligência artificial que resgata o jogador Neymar, convocado para a Copa do Mundo sob críticas e que em 2022 declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. O vídeo foi uma resposta à ironia feita por Lula sobre a participação do atacante no torneio.

Essa movimentação faz parte da estratégia lulista de promover um discurso de soberania nacional para fortalecer a campanha de reeleição. O plano ganhou força diante da ameaça do governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, de impor tarifas comerciais ao Brasil, incluindo restrições ao Pix. Empresas americanas de cartão de crédito acusam o Banco Central brasileiro de conceder tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo.

A ofensiva do PT para associar Lula às cores nacionais e à seleção começou há duas semanas, com um ato público em 9 de junho, no qual líderes do partido e aliados vestiram camisas nas cores da seleção com as frases “o Pix é do Brasil” e “joga pelo Brasil” na frente, e “Lula joga pelo Brasil” nas costas. A mensagem busca associar Lula à defesa do país e, indiretamente, posicionar Flávio Bolsonaro como adversário da nação.

O grupo de Lula também acusa Flávio de estimular o governo americano a adotar medidas contra o Brasil. O senador esteve nos Estados Unidos no fim de maio, onde se reuniu com Donald Trump e outras autoridades. Pouco depois, o governo americano declarou as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e anunciou a ameaça de tarifas comerciais. Flávio afirma ter pedido que os EUA não imponham tarifas às empresas brasileiras.

Os lulistas argumentam que a designação das facções como terroristas pode abrir espaço para intervenções americanas no território brasileiro e representar riscos econômicos.

No dia 10 de junho, Lula associou-se oficialmente ao Pix em evento do governo, quando o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) anunciou o registro do sistema de pagamentos como marca de alto renome, restringindo seu uso por terceiros. Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o “Conselhão”, Lula posou segurando um cartaz com a bandeira brasileira e a frase “o Pix é do Brasil”.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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