Aliados de Wagner afirmam que fragilização do senador prejudica palanque de Lula na Bahia

Um dia após ser alvo de operação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) comunicou a aliados que não pretende renunciar à liderança do governo no Senado, a menos que seja solicitado pelo presidente Lula (PT). Os dois mantêm uma relação de amizade.

Contrariado com o que chama de fogo amigo, Wagner espera se reunir com Lula na próxima semana para discutir sua permanência na liderança do governo. Integrantes do grupo político do senador relatam que ele tem recebido opiniões tanto favoráveis quanto contrárias ao seu afastamento do cargo.

Aliados destacam que, apesar de Wagner não demonstrar apego à função, ele está irritado com articulações feitas às suas costas. Nas conversas recentes, prevalece o argumento de que a fragilização política do senador compromete o palanque de Lula na Bahia, estado fundamental para a vitória do presidente em 2022. Essa tese tem sido apresentada ao Palácio do Planalto para defender a permanência de Wagner na liderança.

Por outro lado, uma ala governista teme que os desdobramentos do caso Master afetem a imagem do presidente, mesmo que o escândalo tenha sido desmantelado durante seu governo. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defende a blindagem a Lula, considerando injusto que ele seja prejudicado pelo esquema que combateu. “Tem que deixar claro que o governo não tem nada com isso. Não podemos misturar as estações”, afirmou o ministro.

Ministros, sob reserva, demonstram incômodo com declarações de Wagner de que conta com o apoio do presidente para permanecer na liderança. Com aval de Lula, ministros e aliados iniciaram uma operação na quinta-feira (18) para que o senador entregue o cargo. O presidente avalia a permanência de Wagner como insustentável, mas prefere que ele peça para sair a ser destituído.

Na sexta-feira (19), durante agenda oficial em Minas Gerais, Lula respondeu com um joinha a questionamentos da imprensa sobre a permanência de Wagner na liderança.

Operação da Polícia Federal e desdobramentos

Na quinta-feira (18), após a deflagração da operação da Polícia Federal na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, as conversas não avançaram para discutir uma sucessão na liderança do governo devido ao abalo emocional do senador.

Ministros afirmam que o gesto de solidariedade do presidente não deve ser interpretado como garantia de manutenção no cargo, mas como um incentivo para que Wagner assuma a saída como iniciativa pessoal, alegando necessidade de se dedicar à sua defesa.

Também foi Lula quem sugeriu que Wagner concedesse uma entrevista para prestar esclarecimentos. No entanto, dentro do governo, a avaliação é de que as explicações foram insuficientes, o que deverá gerar novos desdobramentos.

Em entrevista à Band News TV, o líder do governo no Senado mencionou o telefonema do presidente: “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”. O senador afirmou que continuará na liderança até segunda ordem: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

    Post anterior
    Próximo post

    Postado por:

    Gostou dessa notícia? Avalie e deixe seu comentário abaixo:

    0 0 votos
    Classificação do artigo
    Inscrever-se
    Notificar de
    guest
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado
    Tempo agora
    Clima
    --°C
    Goiânia
    Carregando...
    🌡️ --° / --° 💧 --% 🌬️ -- km/h

    MAIS LIDAS

    CATEGORIAS

    0
    Adoraria saber sua opinião, comente.x