O Brasil frequentemente encara suas crises institucionais como permanentes, mas a experiência recente do Espírito Santo demonstra que instituições podem ser reconstruídas quando há liderança política, disciplina fiscal e cooperação entre Estado e sociedade.
No início dos anos 2000, o Espírito Santo enfrentou profunda fragilidade institucional. Episódios extremos, como o assassinato de um juiz, revelaram a presença do crime organizado e questionaram a capacidade do poder público de exercer plenamente sua autoridade. Além disso, incentivos fiscais concedidos de forma casual pela Assembleia Legislativa enfraqueciam a arrecadação estadual.
Esses acontecimentos evidenciaram problemas mais amplos, como instituições frágeis, baixa coordenação entre órgãos públicos e um ambiente de incerteza que comprometia a confiança da sociedade e dos investidores.
No entanto, a partir desse momento, o Espírito Santo iniciou um processo consistente de reconstrução institucional. Ao longo do tempo, foram implementadas mudanças estruturais que combinaram disciplina fiscal, melhoria da governança pública e fortalecimento das políticas de segurança.
O primeiro pilar dessa reconstrução foi o reequilíbrio das contas públicas. O estado adotou uma estratégia de ajuste fiscal baseada no controle de gastos, reorganização administrativa e fortalecimento da gestão financeira. A previsibilidade das contas públicas passou a definir a capacidade do Estado de planejar, investir e responder a crises, recuperando também a credibilidade da gestão.
Essa agenda foi conduzida pelo então governador Paulo Hartung, que, desde sua experiência como prefeito de Vitória, defendia que o equilíbrio fiscal era fundamental para construir um Estado estratégico capaz de executar políticas públicas eficazes. As medidas adotadas foram rigorosas, mas possibilitaram a retomada do pagamento regular dos salários do funcionalismo.
O segundo pilar foi a melhoria da governança pública. Planejamento, transparência, fortalecimento dos órgãos de controle e coordenação institucional passaram a ser prioridades na administração estadual. A profissionalização da gestão e a definição clara de prioridades ampliaram a eficiência do Estado, que passou a focar suas ações nas vantagens e fragilidades identificadas.
O terceiro pilar foi o fortalecimento da presença institucional do Estado nas áreas de segurança e Justiça, combatendo o crime organizado e restaurando a autoridade pública.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








