Brasil e Japão: a trajetória de influência que transformou o futebol japonês até o duelo na Copa do Mundo de 2026

Na segunda-feira (29), Brasil e Japão se enfrentam na Copa do Mundo em uma partida que reflete uma relação construída ao longo de décadas. Antes de se consolidar como uma das principais forças do futebol asiático, o Japão teve no Brasil uma referência dentro e fora de campo, com influência de jogadores, treinadores e dirigentes brasileiros.

Para Zico, um dos brasileiros que mais contribuíram para a evolução do futebol no Japão, o confronto exige atenção. “É um jogo em que os dois times propõem jogo. O Brasil precisa ter cuidado com a velocidade e a movimentação dos caras, porque eles não param”, afirmou o ex-jogador em um podcast no sábado.

O jornalista esportivo Tiago Bontempo, autor do livro Samurais Azuis: a História do Futebol no Japão, resume a relação entre os dois países como a de “professor e aluno, mestre e discípulo”. Segundo ele, a Copa do Mundo de 1970, a primeira transmitida pela televisão japonesa, marcou o início da aproximação de uma geração de jogadores com o futebol brasileiro.

Na década seguinte, o Yomiuri, atual Tokyo Verdy, ficou conhecido como o “time dos brasileiros”, com nomes como Jorge Yonashiro e Ruy Ramos, que introduziram um estilo de jogo baseado na troca de passes e na técnica.

A criação da J.League, a Liga de Futebol Profissional do Japão, na década de 1990, ampliou essa influência. Após o tetracampeonato mundial do Brasil em 1994, clubes japoneses passaram a contratar jogadores brasileiros que integravam ou já haviam defendido a seleção brasileira, como Dunga, César Sampaio, Zinho e Jorginho. “Até hoje a maioria dos jogadores estrangeiros no Japão são brasileiros”, afirma Bontempo.

Antes de Zico e outros brasileiros, Nelson Yoshimura foi o primeiro brasileiro a atuar no Japão na década de 1960. Descendente de japoneses, ele se naturalizou e chegou a defender a seleção japonesa. “Por causa dele, os outros times japoneses também começaram a contratar brasileiros”, destaca Bontempo.

Naquela época, o futebol no Japão ainda era amador, com equipes ligadas a grandes empresas como Nissan, Yamaha, Mitsubishi, Hitachi e Mazda, formadas por funcionários que conciliavam trabalho e futebol. O beisebol continuava sendo o esporte mais popular do país.

Segundo o comentarista da ESPN Ubiratan Leal, o cenário começou a mudar no fim dos anos 1980, com maior público e investimentos no futebol. As empresas passaram a contratar jogadores de destaque, como o zagueiro Oscar, titular da seleção brasileira na Copa de 1982, que se transferiu para o Nissan antes da profissionalização do futebol japonês.

Nos anos seguintes, jogadores nikkeis e brasileiros sem ascendência japonesa, como Ruy Ramos, naturalizado japonês, ajudaram a simbolizar a transição do futebol amador para o profissional, ao lado de Kazuyoshi Miura, o Kazu.

A criação da J.League representou a maior mudança na história do futebol japonês, profissionalizando o esporte e investindo na formação de clubes, torcidas e atletas, transformando o futebol em um produto competitivo e popular no país.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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