Em entrevista ao site Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “muito volátil” e afirmou que não se importa com ele.
Questionado sobre o G7 realizado em Évian-les-Bains, França, Trump comentou a participação do Brasil no encontro e disse: “Eu observei o Brasil e o presidente, que é uma pessoa que eu conheço um pouco. Ele é uma pessoa muito volátil”.
Quando o jornalista afirmou que Trump não era um grande fã do petista, o presidente americano respondeu: “Não é sobre ser fã, eu não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas ele é uma pessoa muito diferente agora. Muito volátil. Eu assisti ao seu discurso, ele é muito volátil e está tudo bem. São vários tipos [diferentes de líderes]”.
Esta é a segunda declaração da semana em que Trump se refere ao Brasil. No G7, ele afirmou ter passado um bom tempo com Lula, criticou o país e disse que o Brasil se tornou “perigoso politicamente”. “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, declarou.
Durante a entrevista, Trump também se confundiu ao falar sobre integrantes da família Bolsonaro, mencionando que “Bolsonaro Jr.” havia sido preso ou que havia pessoas tentando prendê-lo por estar indo bem nas pesquisas. Na verdade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses no regime semiaberto por coação no curso do processo relacionado à atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.
Além da pena, Eduardo Bolsonaro foi condenado ao pagamento de multa de R$ 150 mil, perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual está afastado, e está impedido de disputar eleições por oito anos por ser considerado “ficha suja”.
O Departamento de Estado dos EUA declarou que a condenação de Eduardo Bolsonaro é “o mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial (‘lawfare’) pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos” e ressaltou que “debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações”.
As declarações de Trump ocorrem em meio a tensões entre Washington e Brasília, após a designação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e diante da possibilidade de os EUA aplicarem tarifas de até 37,5% contra o Brasil.
Em resposta, Lula defendeu a soberania brasileira e comentou a fala de Trump sobre o país ser “perigoso politicamente”. Para o presidente brasileiro, o americano pode ter suas preferências políticas, mas não pode intervir nas eleições do Brasil.
“Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, afirmou Lula.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









