O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (19) o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a apreensão de uma arma registrada em seu nome. A oitiva foi marcada para a próxima terça-feira (23), às 15h, e será realizada na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária.
A solicitação do depoimento partiu da Polícia Civil do Distrito Federal, que informou ter tentado intimar Bolsonaro pessoalmente em sua casa, mas a equipe de segurança do ex-presidente não permitiu o contato.
Segundo o despacho de Moraes, o depoimento deverá ser presencial devido a restrições legais quanto ao uso de comunicações eletrônicas no caso.
A pistola Glock calibre 9 milímetros foi apreendida na noite de segunda-feira (15) com um segurança de Bolsonaro durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal. O militar, Estácio Leite da Silva Filho, informou que levava a arma para conserto após uma falha e pretendia devolvê-la na terça-feira (16).
Após a apreensão, Moraes concedeu 24 horas para que a defesa do ex-presidente apresentasse esclarecimentos, questionando especialmente o motivo pelo qual o conserto da arma foi solicitado próximo ao término do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária.
O ministro também levantou suspeitas sobre o cumprimento das medidas cautelares, já que a arma foi encontrada com um terceiro a 33 quilômetros do condomínio onde Bolsonaro reside, contrariando as ordens judiciais que determinam revista nos veículos que saem da residência. A Polícia Militar informou que os carros usados pelos seguranças ficam estacionados em via pública e, por isso, não são submetidos à revista.
Esta não é a primeira vez que Moraes utiliza a violação de medidas cautelares para revogar benefícios concedidos a Bolsonaro, como ocorreu em episódios anteriores envolvendo o uso das redes sociais e tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








