Seleção Brasileira do Início do Século 20 Contava com Muitos Filhos de Imigrantes e Operários

Na primeira metade do século 20, a seleção brasileira de futebol refletia o perfil migratório do país, com muitos jogadores sendo filhos de imigrantes europeus e operários. Sobrenomes italianos, alemães, ingleses e espanhóis, como Lorenzato, Mutzenbecher, Neville e Ojeda, eram comuns no elenco nacional.

Durante essa época, clubes fundados ou frequentados por imigrantes, como Palmeiras, Corinthians, Vasco, Cruzeiro e Bangu, desempenharam papel central na difusão do futebol no Brasil e foram responsáveis por revelar vários atletas para a seleção.

Quando o Brasil conquistou seu primeiro título, o Campeonato Sul-Americano de 1919, ao menos cinco titulares da equipe eram filhos de imigrantes: o atacante Friedenreich, filho de alemão; Neco, com pai português; e Marcellino, Barbuy e Bianco, filhos de italianos. Esses jogadores se destacaram principalmente no futebol de São Paulo, onde em 1920 estrangeiros representavam 35% da população, segundo o IBGE.

A introdução do futebol no Brasil também está ligada a imigrantes, como Charles Miller, filho de escocês que trouxe o esporte da Inglaterra em 1895, e Oscar Cox, brasileiro-britânico que ajudou a fundar o Fluminense em 1902.

Enquanto famílias ricas cariocas adotavam o futebol, o esporte se popularizava entre as classes baixas e os imigrantes que chegavam ao país, especialmente em São Paulo, importante polo industrial e destino de milhões de europeus, árabes e japoneses.

Clubes como Germânia (comunidade alemã), Esporte Clube Sírio (colônia árabe) e Portuguesa de Desportos surgiram nessa época, assim como times amadores formados por operários que disputavam torneios nas várzeas dos rios Tietê, Tamanduateí e Aricanduva, origem da expressão “futebol de várzea”. Muitos desses grupos tinham forte presença italiana e alimentaram clubes como Corinthians e Palmeiras.

No Rio de Janeiro, o Bangu foi fundado por operários e o Vasco por imigrantes portugueses, reafirmando a influência dos imigrantes na formação do futebol brasileiro.

Segundo o historiador Fernando Galuppo, autor de livros sobre o Palmeiras, a criação do clube em 1914 visava unir imigrantes italianos e proporcionar a eles uma identidade e pertencimento em uma sociedade dominada por aristocratas cafeicultores.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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