O início frustrante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 tem múltiplos fatores, mas, para Romário, um deles é determinante.
Segundo o ex-jogador, alguns dos principais nomes convocados por Carlo Ancelotti não conseguem reproduzir na seleção o mesmo futebol que apresentam em seus clubes. “Nem um pouco”, afirmou.
Para o campeão mundial de 1994, a explicação passa pela atitude em campo, muito aquém da esperada, sobretudo, no primeiro tempo do empate por 1 a 1 com Marrocos, no sábado (13).
“Falta atitude nesses caras quando eles vestem a camisa da seleção brasileira”, disse Romário em entrevista à Folha, em Nova York, de onde acompanha a seleção e cumpre compromissos comerciais.
O Baixinho cita Vinicius Júnior como exemplo de oscilação entre clube e seleção, embora com a ressalva de sua expectativa em relação à evolução do atacante do Real Madrid. “O Vini que a gente quer é aquele Vini que jogou contra o Marrocos”, afirmou.
Romário também demonstrou confiança de que outros nomes possam reagir durante o Mundial. Entre eles, citou Raphinha como um jogador capaz de dar um “estalo” com a camisa da seleção. “Eu acredito que ele vai mudar a atitude dentro do jogo.”
Aos 60 anos, Romário ainda exibe um corpo de atleta. Se estivesse no vestiário do MetLife Stadium, em Nova Jersey, durante o intervalo da partida contra os marroquinos, diz que teria assumido um papel de liderança capaz justamente de dar esse “estalo” nos jogadores.
“Eu sou um cara de trocar muita ideia. Eu demonstraria toda a minha revolta com o grupo e comigo também, se eu estivesse dentro do jogo, porque ninguém jogou nada”, afirmou.
No elenco atual, porém, ele não vê ninguém com capacidade de liderança para cobrar o grupo.
“Não vejo liderança nesse time do Brasil. As pessoas falam que o Marquinhos pode ser líder, o Casemiro pode ser líder. Cara, não vejo isso não”, reclamou. “Pelo menos dentro do campo não me passam nem um pouco [de confiança].”
A ausência de lideranças no elenco não faz Romário transferir a responsabilidade para Carlo Ancelotti.
Na visão do ex-atacante, o treinador tem sua importância, mas são os jogadores os principais responsáveis pelo desempenho da seleção. Para ele, apesar do currículo vitorioso do italiano, ele não pode ser tratado como mais importante do que os atletas.
“Se é assim, a gente está mal, realmente”, afirmou. “O treinador não faz gol. E o treinador bom, na minha opinião, é aquele que não atrapalha. Por mais que ele tenha sua relevância, seu tamanho, seu peso, quem ganha jogo são os jogadores.”
Nem por isso Romário poupou o italiano. O ex-jogador classificou como precipitada a decisão da CBF de renovar o contrato de Ancelotti antes do fim da Copa.
“Uma atitude muito ruim. Eu não renovaria antes de terminar a Copa do Mundo”, afirmou. “Vamos imaginar, é claro que não vai acontecer, o Brasil é eliminado na primeira fase.”
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









