O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), demonstrou descontentamento nos bastidores após o presidente Lula (PT) declarar apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que tentará reeleição e concorrerá contra Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta.
Motta e Lula haviam se aproximado no final do ano passado, em parte pelo interesse do presidente da Câmara em eleger o pai para uma vaga no Senado. Lula é uma liderança popular na Paraíba, e seu apoio é considerado importante para candidatos a cargos majoritários, como o Senado.
Em vídeo de apoio, Lula afirmou: “Poucas vezes na vida eu, como presidente da República, tive com um senador uma relação honesta e comprometida de ajudar o governo como eu tenho com o Veneziano. Ele não faltou uma, uma, ajuda que o governo precisou”. O petista acrescentou que é necessário reconduzir Veneziano ao Senado para garantir mais tranquilidade em seu governo.
O MDB tem sido um dos principais apoios do atual mandato de Lula no Senado. Integrantes da sigla avaliam que a bancada poderá perder senadores nas eleições deste ano, e que Veneziano enfrentará uma disputa difícil, o que gerava expectativa sobre um possível apoio do presidente.
Petistas indicam que Lula tentará equilibrar seu posicionamento entre Veneziano e Nabor na eleição, buscando preservar a aliança tanto com Motta quanto com a bancada do MDB.
Apesar do descontentamento de Motta, aliados avaliam que o episódio não deve provocar uma crise entre os dois líderes. No grupo político de Motta, há a percepção de que o vídeo de Lula terá pouco impacto na campanha de Nabor, cuja principal dificuldade é o baixo reconhecimento no estado, embora ele realize esforços para se aproximar do eleitorado paraibano.
Nabor Wanderley foi eleito prefeito de Patos (PB) em 2020 e reeleito em 2024. Patos fica a cerca de 300 km de João Pessoa e tem aproximadamente 108 mil habitantes, segundo o IBGE.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou em 16 de junho de 2026 que Lula sempre foi transparente sobre seu apoio a Veneziano e ao ex-governador João Azevêdo (PSB), que também deve concorrer ao Senado. Ele destacou que isso não significa falta de respeito a Nabor.
O presidente da República está na fase final da negociação de suas alianças locais e tem sido pressionado a gravar vídeos de apoio, mas até o momento produziu poucos materiais, como o que promove Veneziano. Pessoas próximas a Lula avaliam que as declarações públicas devem ser pontuais e aumentarão mais próximo das eleições.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








