São Paulo, 22 de junho de 2026 – A Copa do Mundo oferece uma oportunidade para refletir sobre por que os gramados e as arquibancadas são espaços onde os homens parecem mais à vontade para expressar emoções. As lágrimas de jogadores e torcedores durante os jogos não encontram o mesmo espaço fora desse ambiente.
“Alguns tipos de toque, um pegar na bunda do outro, deitar em cima do outro na comemoração, segurar as mãos, abraçar… São cenas em que os homens estão protegidos pela própria prática”, afirma a professora de educação física do Coltec UFMG e pesquisadora do futebol, Eliene Lopes Faria. “O fato de eles estarem dentro do futebol não coloca em questão a masculinidade. É porque eles são daquele lugar e têm o reconhecimento de serem masculinizados que eles podem realizar isso.”
Pesquisadores ouvidos pelo podcast Café da Manhã destacam que as restrições a certas formas de ser homem no ambiente do futebol alimentam um modelo de masculinidade associado à violência e exclusão. O acesso mais amplo de meninos e homens ao esporte, em comparação com meninas e mulheres, contribui para a manutenção de espaços ainda muito machistas, especialmente em um país como o Brasil, onde o futebol tem papel central na socialização.
O episódio especial do Café da Manhã, publicado nesta segunda-feira (22), discute o papel do futebol na formação de meninos e homens. O programa ouviu pessoas do campo, das arquibancadas, dos bastidores e dos estudos do futebol para analisar a relação do esporte com o modelo hegemônico de masculinidade e as possibilidades de transformá-lo em um ambiente menos machista.
O podcast está disponível no Spotify, parceiro da Folha nesta iniciativa. Para ouvir, basta acessar a plataforma gratuitamente.
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no início do dia, e é apresentado pelos jornalistas Gabriela Mayer e Gustavo Luiz, com produção de Jéssica Cruz e edição de som de Raphael Concli.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









