Márcio Macedo, doutor em Sociologia pela The New School, de Nova York, e professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, discute a complexidade da negritude representada por Pelé e sua conexão com temas como raça e nacionalidade no futebol brasileiro.
Em sua infância, o autor recorda que seu pai e tios, santistas e fãs de Pelé, valorizavam o Rei não apenas por sua habilidade, mas também por sua identidade negra. Essa dimensão é explorada à luz do pensamento de Paul Gilroy, importante intelectual dos estudos culturais britânicos, que no prefácio da edição brasileira de seu livro “O Atlântico Negro” relata como, ainda jovem, escolheu torcer pelo Brasil na Copa do Mundo de 1970.
Gilroy, filho de mãe negra jamaicana e pai branco inglês, via na seleção brasileira um símbolo de afirmação racial além das fronteiras nacionais, especialmente por sua composição racial diversa, em contraste com a seleção inglesa, predominantemente branca na época.
O texto também relembra a histórica vitória do Brasil sobre a Inglaterra na Copa de 1970, destacando a defesa notável do goleiro inglês Gordon Banks e o gol decisivo de Jairzinho, resultado de uma jogada envolvendo Tostão e Pelé.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









