Hinos nacionais das seleções da Copa de 2026 revelam antigas rivalidades entre países

Os hinos nacionais são textos políticos e estão entre as músicas mais tocadas e reconhecidas no mundo. Muitos foram escritos para angariar tropas, celebrar vitórias em guerras ou unir novos Estados. Atualmente, esses hinos são principalmente ouvidos em eventos esportivos, como a Copa do Mundo, quando as seleções cantam músicas que refletem conflitos históricos entre as nações.

Na edição de 2026 da Copa do Mundo, com 48 seleções participantes, a The Economist utilizou inteligência artificial para analisar as letras traduzidas dos hinos nacionais dos países presentes no torneio. Países cujos hinos não possuem letra oficial, como Espanha e Bósnia, foram excluídos da análise.

A Espanha é apontada como o país mais mencionado negativamente em outros hinos, aparecendo em três deles, possivelmente devido ao fato de suas antigas colônias terem enfrentado mais guerras para obter independência do que as colônias britânicas. Por exemplo, o hino do Equador faz referência ao colonizador ao dizer que “se escutava o leão destroçado rugir de impotência e desespero”. Já o hino da Holanda é mais direto: “Os espanhóis te estupraram, minha tão doce Holanda”.

Ao analisar o contexto histórico, a The Economist identificou que ao menos nove hinos nacionais fazem referência a outros países, incluindo o Reino Unido no hino dos Estados Unidos, com a Espanha novamente em destaque.

Os hinos costumam conter referências à violência: 40 dos 48 países participantes mencionam soldados, batalhas ou convocação às armas. Hinos escritos no século 19 apresentam maior frequência dessas referências, enquanto os mais recentes tendem a citar menos episódios violentos.

O hino português, originalmente uma canção de protesto contra o Reino Unido, é o mais belicoso do Mundial, com 11 referências violentas a cada cem palavras e 12 convocações “às armas”. O hino francês menciona soldados estrangeiros “que vêm cortar a garganta de seus filhos e companheiras”, enquanto os hinos do Uruguai e da Suíça exaltam o martírio.

Por outro lado, nem todos os hinos são marcados pela violência. Alguns países historicamente invasores têm canções pacíficas: o hino britânico pede a Deus que salve seu rei, o escocês faz referência irônica ao Rei Eduardo 3º, o alemão celebra liberdade, unidade e felicidade, e o japonês deseja que o imperador reine até que pequenos seixos se tornem grandes pedras cobertas por musgo.

Entre os anfitriões da Copa, Estados Unidos e México possuem hinos com temas semelhantes, como liberdade, conflito e religião, embora o hino mexicano contenha mais que o dobro das referências à violência em relação ao americano.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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