Adversário do Brasil na próxima sexta-feira (19), o Haiti enfrenta uma realidade marcada por pobreza, violência e domínio de gangues, mas encontra na participação inédita na Copa do Mundo um momento de alegria e escape emocional.
Torcedores haitianos, apaixonados pelo futebol brasileiro e por ídolos como Pelé, Ronaldo, Ronaldinho e Neymar, vivem a partida contra a seleção canarinho na Filadélfia como um evento histórico e simbólico para o país.
“O futebol é uma das poucas formas de escape emocional coletivo em meio a tanto cansaço e frustração. Para um país como o nosso, o futebol não é só entretenimento, é quase uma questão de sobrevivência emocional”, afirmou Patrick Saint-Pré, jornalista e fundador do portal Haiti Climat, em entrevista à Folha.
Em Porto Príncipe, o professor Werner Garbers, conhecido como Neno, que vive há 14 anos no Haiti, exemplifica essa dualidade de sentimentos ao criar uma camisa dividida com as cores e bandeiras do Brasil e do Haiti, representando a paixão dos haitianos por ambas as seleções.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo país e da imagem negativa deixada pela missão de paz da ONU liderada pelo Brasil entre 2004 e 2017, a admiração dos haitianos pela seleção brasileira permanece forte. Segundo Frantz Duval, redator-chefe do jornal Le Nouvelliste, “para o haitiano, não era o Brasil que estava aqui, era a ONU. Na cabeça do haitiano, o Brasil é Pelé, é Ronaldo, é Ronaldinho”.
O histórico “jogo da paz” de 2004, quando o Brasil goleou o Haiti por 6 a 0 em amistoso, também contribuiu para fortalecer essa ligação afetiva.
Assim, a estreia do Haiti na Copa do Mundo, contra a Escócia, e o confronto inédito com o Brasil representam muito mais do que futebol para a população haitiana: são momentos de união, orgulho e esperança em meio ao caos.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









