Gandulas na Copa do Mundo de 2026: funções, seleção e novas regras para agilizar o jogo

Rafael Capanema

São Paulo

No futebol e em outros esportes como tênis e beisebol, os gandulas têm a função de recolher e devolver as bolas que saem do campo durante a partida. Na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, esses auxiliares serão escolhidos e treinados pela Fifa entre voluntários, geralmente jovens atletas dos países-sede.

Em torneios de clubes, como o Campeonato Brasileiro, os gandulas são selecionados pela equipe mandante. Já na Copa do Mundo, disputada em campo neutro, a Fifa centraliza a escolha desses profissionais.

Na edição deste ano, parte dos gandulas foi selecionada em uma ação de um patrocinador do evento.

Novas regras para agilizar o jogo

Para evitar atrasos propositalmente cometidos por jogadores ao reiniciar a partida, a Fifa implantou regras específicas para cobranças de lateral e tiro de meta. Caso o jogador demore mais de cinco segundos para realizar o arremesso lateral ou o goleiro e a equipe atrasem a cobrança do tiro de meta, a posse de bola é dada ao time adversário ou é marcado escanteio, respectivamente.

O sistema “multiball” e sua adoção no Brasil

A Premier League, principal divisão do futebol inglês, determinou a partir de 2024 que o gandula não entregue mais a bola diretamente ao jogador. No sistema chamado “multiball”, cones com bolas são posicionados ao redor do gramado para que os jogadores peguem a bola e reiniciem o jogo rapidamente, enquanto o gandula reabastece os cones vazios.

A partir de 2025, a Federação Paulista de Futebol (FPF), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Conmebol anunciaram a adoção do sistema “multiball” em seus principais torneios, como o Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores. No entanto, a Copa do Mundo não utilizará esse sistema e os gandulas poderão continuar entregando as bolas diretamente aos jogadores quando necessário.

Origem do termo gandula

Contrariando uma lenda popular que relaciona o termo ao jogador argentino Bernardo Gandulla, que atuou no Vasco em 1939, a palavra “gandula” já era usada no Brasil desde 1933. O termo deriva do espanhol “gandul”, que significa vagabundo ou preguiçoso, e tem origem no árabe “gandûr”, que se refere a um jovem de classe modesta que vive sem trabalhar.

Embora a etimologia pareça injusta para uma função que exige esforço físico, o termo reflete a ideia de uma pessoa jovem que atua à margem de outras mais notórias, aproximando-se da função exercida pelos gandulas nos esportes.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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