Ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger é acusado de racismo por comentários sobre time da Costa do Marfim na Copa do Mundo

O ex-jogador da seleção alemã de futebol, Bastian Schweinsteiger, foi acusado de racismo após comentários feitos durante a Copa do Mundo, em 20 de junho de 2026, quando a Alemanha enfrentou a Costa do Marfim.

Como comentarista da emissora pública alemã ARD, Schweinsteiger afirmou que os marfinenses praticam um “futebol africano”, que ele descreveu como “pouco ortodoxo”, “um pouco selvagem” e “talvez, às vezes, não tão marcado pela tática”. O termo original em alemão, “wild”, pode ser traduzido como “selvagem”, mas também carrega conotações de rebeldia e descontrole.

O campeão mundial de 2014 ainda comentou que a Alemanha deveria estar preparada para um jogo “imprevisível em alguns momentos”. Até o momento, Schweinsteiger não se pronunciou publicamente sobre a polêmica.

Reações e críticas

As declarações geraram críticas nas redes sociais e na mídia alemã, com acusações de que o ex-jogador utilizou estereótipos racistas e coloniais que reduzem pessoas negras a atributos físicos, ignorando suas capacidades intelectuais.

O jornalista negro alemão Philipp Awounou, em coluna na revista Spiegel, destacou que termos como “selvagem” e “imprevisível” carregam estereótipos racistas e coloniais antigos, que associavam pessoas negras a características de incivilização e perigo.

O criador de conteúdo esportivo Patrick Schnitzler também apontou estudos acadêmicos que mostram a tendência de comentaristas e torcedores destacarem atributos físicos de jogadores negros em detrimento de outros aspectos.

Para Awounou, embora não rotule Schweinsteiger como racista, seus comentários refletem opiniões comuns entre torcedores e especialistas do futebol alemão.

Desempenho da Costa do Marfim na partida

Contrariando a previsão de Schweinsteiger, a Costa do Marfim apresentou um futebol taticamente sólido, especialmente no primeiro tempo, forçando a Alemanha a jogar pelos lados e apostar em cruzamentos e finalizações de longa distância.

A equipe, liderada pelo técnico Julian Nagelsmann, foi ameaçadora em contra-ataques e abriu o placar com o capitão Franck Kessié, após boa jogada de Yan Diomandé, ponta do RB Leipzig. A Alemanha venceu a partida por 2 a 1.

Após o jogo, Schweinsteiger reconheceu a qualidade técnica e física do adversário em suas redes sociais, afirmando: “Se eu tivesse de decidir, diria que o time mais ‘selvagem’ neste jogo fomos nós: os alemães”.

Awounou também destacou na Spiegel que o jogador menos “ortodoxo” e que se destacou pela força física e técnica foi Felix Nmecha, alemão de origem nigeriana, questionando a validade de atribuir qualidades com base em cor ou continente de origem em um mundo globalizado.

Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES

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