Condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF fortalece pedidos de sanções Magnitsky contra Alexandre de Moraes, afirma Paulo Figueiredo

O empresário bolsonarista Paulo Figueiredo declarou à Folha nesta quarta-feira (17) que a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) “acentua nossa posição de vítima e aumenta nossa munição”.

Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto pelo crime de coação no curso do processo, devido à sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. O julgamento ocorreu na terça-feira (16).

Com a condenação, o ex-parlamentar se torna ficha suja e ficará impedido de disputar eleições por oito anos. Ele também deverá pagar multa de cerca de R$ 150 mil e perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual está afastado. Ainda cabe recurso.

Por não ter apresentado advogados à corte, Eduardo foi representado pelo defensor público federal Antonio Ezequiel Inácio Barbosa. Segundo Figueiredo, o ex-deputado deve constituir advogado quando for notificado.

Figueiredo afirmou que a condenação reforça os argumentos que ele e Eduardo têm defendido nos Estados Unidos, onde têm solicitado o retorno da Lei Magnitsky. Essa lei prevê sanções a estrangeiros acusados pelos EUA de graves violações de direitos humanos ou corrupção.

A sanção foi aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes no ano passado, mas retirada em dezembro após aproximação entre os presidentes Lula e Donald Trump. Em fevereiro, Eduardo Bolsonaro mencionou esse pedido durante a CPAC, maior evento conservador do mundo. Em maio, na visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, acompanhado por Figueiredo e Eduardo, o pedido para o retorno da sanção foi reforçado, embora Flávio tenha preferido se abster.

“A gente achou graça da condenação. Não muda nada na vida da gente exceto acentuar nossa posição de vítima e aumentar nossa munição”, disse Figueiredo, que afirmou que ele e Eduardo só pretendem retornar ao Brasil caso Flávio seja eleito presidente. “[Isso] permanece. Eduardo veio para cá sabendo que seria condenado.”

Figueiredo também ameaçou que “os demais ministros da turma são os próximos da lista”.

Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a “desinformação” levada por Eduardo e Figueiredo ao governo Trump, que resultou na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, prejudicou o Brasil para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas “não amedrontou essa corte”.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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