Atritos entre Michelle Bolsonaro e filhos de Jair Bolsonaro marcam disputa política desde 2022

Os desentendimentos entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) têm se manifestado publicamente desde o fim do mandato presidencial, em dezembro de 2022. As divergências envolvem disputas por espaço político, palanques regionais e o controle da imagem do ex-presidente.

O episódio mais recente ocorreu em 24 de junho de 2026, quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais acusando o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, de desrespeito e humilhação. Segundo ela, Flávio teria dito em uma ligação telefônica que seria melhor ela “ficar de fora das decisões do partido” e que ela “havia chegado ontem” à política. Flávio minimizou o caso, mas divulgou uma nota oficial na madrugada do dia 25 pedindo desculpas por eventuais mal-entendidos e negando a intenção de humilhar a madrasta.

Além desse conflito, outros episódios marcaram a relação conturbada entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro. Em setembro de 2022, Michelle criticou candidatos que utilizam o nome “Bolsonaro” nas eleições, classificando-os como “alpinistas que estão tentando subir na vida” ao adicionar o nome do ex-presidente na urna. Na ocasião, Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan Bolsonaro, concorria ao cargo de deputada distrital no Distrito Federal usando o nome “Cristina Bolsonaro”.

Renan Bolsonaro respondeu às críticas da madrasta nas redes sociais, destacando a relação de parceria e amor entre seus pais durante os 16 anos de casamento e afirmando seu apoio à mãe na disputa eleitoral. Ele também contestou indiretamente as declarações de Michelle, dizendo que o termo “alpinista” não refletia a realidade.

Após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de outubro de 2022, houve movimentações nas redes sociais que indicaram um distanciamento entre o ex-presidente e Michelle, que negou crise conjugal e atribuiu o unfollow mútuo à gestão das redes sociais feita por Carlos Bolsonaro. Michelle continuou a seguir Flávio e Eduardo Bolsonaro, mas não seguia Carlos e Renan, mantendo um distanciamento recíproco.

Os atritos também influenciaram as articulações partidárias para as eleições municipais de dezembro de 2023, especialmente na definição da chapa de Alexandre Ramagem (PL-RJ) à Prefeitura do Rio. Michelle, como presidente nacional do PL Mulher, defendia uma chapa pura com a deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) para atrair o eleitorado feminino, enquanto Flávio e Carlos Bolsonaro preferiam ceder a vaga de vice a uma legenda aliada, como o União Brasil.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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