O administrador de empresas Candido Bracher, com 40 anos de experiência no setor financeiro, analisou o recente acordo firmado entre Estados Unidos e Irã, assinado em 18 de junho de 2026, que prolonga o cessar-fogo por 60 dias e reabre o estreito de Hormuz, rota estratégica para 14% do consumo mundial de petróleo antes do conflito.
Bracher destaca que, embora o anúncio tenha representado um grande alívio para os mercados financeiros globais, que mantiveram-se próximos de níveis recordes nas semanas tensas que antecederam o acordo, o documento é um memorando de entendimento (MoU) e não um acordo formal, além de não incluir Israel, que é exigido a suspender ataques no sul do Líbano.
O próprio presidente Donald Trump ressaltou em suas redes sociais que o acordo não é definitivo e que os ataques poderiam ser retomados, evidenciando as vulnerabilidades do entendimento.
O especialista alerta que a redução dos estoques mundiais de petróleo em 400 milhões de barris desde o início da crise, com queda diária de 6 milhões de barris, poderia ter provocado uma recessão global caso o conflito se estendesse. Por isso, o acordo foi saudado por Trump com a frase “Let the oil flow!”.
Apesar do alívio, Bracher lembra que o temor persistia entre especialistas e na imprensa internacional, com menções a um “pânico silencioso”, como apontou o New York Times, e declarações do economista Paul Krugman admitindo sentir “um certo pânico”.
Segundo o administrador, os riscos não decorrem da falta de motivos para o acordo, mas da dificuldade dos envolvidos em reconhecê-los. O Irã, com economia abalada, precisava restabelecer o fluxo de divisas do petróleo, enquanto os EUA, após 100 dias declarando que não haveria acordo sem “rendição incondicional” de Teerã, optaram por buscar uma saída realista, ainda que não honrosa.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









