Flávio Bolsonaro enfrenta desafios no Nordeste com palanques frágeis e aliados hesitantes a menos de um mês das convenções

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para ampliar sua presença política no Nordeste, região tradicionalmente dominada pelo PT, com postulantes indefinidos em quatro estados, palanques frágeis e aliados reticentes em apoiar publicamente sua candidatura à Presidência da República em 2026.

Faltando menos de um mês para o início do prazo das convenções partidárias, o campo bolsonarista segue sem candidatos ao governo em Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas. No Ceará, as negociações para uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) permanecem incertas, enquanto uma disputa interna no PL entre Flávio e Michelle Bolsonaro ganhou repercussão após um vídeo divulgado pela ex-primeira-dama revelar atritos entre os dois.

Flávio defende uma aliança pragmática com Ciro, que, por sua vez, tem sinalizado que não participará do palanque do senador. No Maranhão, o bolsonarista Lahesio Bonfim (Novo) desistiu da disputa ao governo e negocia candidatura ao Senado na chapa do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), que evita vincular sua campanha ao cenário nacional. O PL local, comandado pelo deputado Josimar de Maranhãozinho, declarou apoio a aliados do presidente Lula para o Senado.

Em Pernambuco, o PL não apresenta candidato ao governo, em uma eleição polarizada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito João Campos (PSB), ambos aliados do PT. O ex-candidato Anderson Ferreira desistiu da disputa majoritária e concorrerá a deputado federal, enquanto outros nomes do partido também buscam vagas legislativas.

Na vizinha Alagoas, o PL perdeu força após a desfiliação do ex-prefeito João Henrique Caldas, que migrou para o PSDB e mantém distância da disputa nacional. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) ensaia uma candidatura ao Senado ao lado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), mas a chapa não tem candidato ao governo.

O cenário revela a dificuldade do bolsonarismo em consolidar palanques fortes no Nordeste, região que foi decisiva para a vitória do presidente Lula em 2022, quando obteve 12,6 milhões de votos contra Jair Bolsonaro (PL).

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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