A vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, atualmente suspensa pelo Ministério da Saúde, não passou pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável pela análise técnica prévia dos imunizantes.
Essa decisão gerou críticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que foi titular da pasta no governo de Jair Bolsonaro. Queiroga, pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba, afirmou que a atual gestão descumpriu a legislação ao não submeter o imunizante à análise técnica da Conitec.
Embora a vacina já tenha recebido aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cabe à Conitec decidir sobre sua incorporação e aplicação no Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão avalia evidências científicas relacionadas à eficácia, acurácia, efetividade e segurança, além do custo-benefício e impacto orçamentário para o SUS.
No início de junho de 2026, o Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina após o registro de duas mortes suspeitas, que ainda estão sob investigação.
Queiroga ressaltou que não questiona a eficácia do imunizante, mas defende o cumprimento dos procedimentos legais e técnicos para sua incorporação.
Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou que a Conitec avalia a tecnologia utilizada nos imunizantes e não a marca ou fabricante. No caso da vacina do Butantan, a tecnologia é a mesma da Qdenga, vacina japonesa que já passou pela análise do órgão. Segundo o ministério, esse procedimento permite a ampliação da oferta quando novos produtos com a mesma tecnologia chegam ao mercado nacional, prática adotada inclusive pelo governo anterior.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








