Em uma análise detalhada sobre a eficiência dos passes dos zagueiros na Copa do Mundo, especialistas destacam que a alta porcentagem de acertos não necessariamente indica um desempenho ofensivo relevante.
O exemplo do zagueiro americano Chris Richards, que acertou 100% de seus 84 passes na partida contra o Paraguai, foi amplamente divulgado pelo USA Today. No entanto, a maior parte desses passes (74) foram para trás ou para o lado, o que demonstra uma estratégia conservadora para evitar erros, e não um avanço significativo no ataque.
Segundo Fabio Takahashi, gerente de dados da Loft e editor do site Portas, e Daniel Mariani, jornalista de dados que cobre sua terceira Copa do Mundo, a métrica tradicional de porcentagem de passes corretos não é suficiente para avaliar a contribuição ofensiva dos defensores.
Para uma análise mais precisa, a métrica xT (expected threat), que avalia a probabilidade de um passe aumentar a chance de gol com base na localização da bola no campo, tem sido utilizada. Por exemplo, o passe do meia Brahim Díaz no gol de Marrocos contra o Brasil elevou a ameaça esperada ao deslocar a bola da linha do meio de campo para a meia-lua adversária.
No confronto entre EUA e Paraguai, apenas 5% dos passes de Chris Richards aumentaram a probabilidade de gol, enquanto o zagueiro suíço Manuel Akanji, contra o Qatar, teve 21% dos seus passes com impacto positivo nessa métrica.
Os meias, como o alemão Toni Kroos na Copa de 2018, costumam apresentar números superiores, com 53 de 128 passes aumentando a chance de gol.
Assim, a análise indica que a eficiência dos passes dos zagueiros, medida apenas pela porcentagem de acertos, não é um indicador confiável da qualidade ofensiva ou da criação de jogadas de perigo no futebol.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









