Trump classifica situação política no Brasil como perigosa e confunde membros da família Bolsonaro

Em entrevista concedida durante o G7, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a situação política no Brasil é “perigosa” e demonstrou confusão ao mencionar os integrantes da família Bolsonaro.

Trump declarou: “O Brasil se tornou um país um pouco complicado, certo? Politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político. Você está falando do Brasil, não é? Tem sido algo desagradável”.

Questionado sobre conversas com o presidente Lula a respeito das novas tarifas propostas pelos EUA, que podem chegar a 37,5%, e da designação das facções PCC e CV como terroristas, Trump respondeu: “Eu passei bastante tempo com ele. O Brasil se tornou um país difícil politicamente”.

O presidente americano também se confundiu ao falar sobre a prisão de membros da família Bolsonaro. “Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele”, afirmou.

No entanto, na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e não o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, pelo crime de coação no curso do processo. A Primeira Turma da corte determinou pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto para Eduardo, que vive nos EUA desde março do ano passado. Ainda cabe recurso e nenhuma prisão foi efetuada.

Trump também criticou as autoridades brasileiras, afirmando que “jogam pesado”, e comentou sobre as eleições americanas: “Mas ninguém joga mais pesado do que os Estados Unidos. Veja, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas.”

Em resposta, o presidente Lula, em Genebra, na Suíça, afirmou que Trump pode ter suas preferências, mas que, conhecendo o Brasil e sua relação com a família Bolsonaro, “ele desconhece o Brasil”. Lula ressaltou que espera que Trump respeite o código de ética entre as nações e não interfira nas eleições brasileiras.

“Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute”, disse Lula.

O presidente brasileiro enfatizou: “Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles e não meu.”

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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