Em discurso no dia 1º de janeiro de 2007, durante a posse de seu segundo mandato, o presidente Lula afirmou que ações do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro deveriam ser tratadas como terrorismo e combatidas com rigor pelo Estado brasileiro.
“Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro não pode ser tratada como crime comum. Isso é terrorismo e tem que ser combatido com uma política forte e com uma mão forte do Estado brasileiro”, declarou Lula na ocasião, referindo-se a episódios de violência que resultaram em 18 mortos, incluindo civis, policiais e suspeitos.
Na época, a ofensiva do CV foi atribuída a uma reação contra o “Comando Azul”, milícia que disputava territórios com a facção. A Secretaria de Segurança Pública do Rio indicou que as ordens partiram de líderes presos.
Mais recentemente, Lula criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar formalmente as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida usada para atacar o adversário político Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Flávio, por sua vez, defende a equiparação das facções a grupos terroristas e afirma ter solicitado essa classificação diretamente ao ex-presidente Donald Trump em maio de 2026.
Especialistas em segurança pública alertam que a nova classificação pode prejudicar o combate ao tráfico de drogas no Brasil. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o CV e o Primeiro Comando da Capital (PCC) comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros, estendendo sua influência além das fronteiras do país.
No governo Lula, a decisão americana foi interpretada como uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras em favor da oposição bolsonarista. Em nota oficial, a Presidência da República mencionou “traidores” e “falsos patriotas”, referência entendida como direcionada à família Bolsonaro. No mesmo dia, Lula chamou Flávio Bolsonaro de traidor em discurso público.
O episódio de violência que motivou a fala de Lula em 2007 incluiu ataques a cabines da Polícia Militar e ônibus de linha, com destaque para o incêndio de um ônibus interestadual que resultou na morte carbonizada de sete passageiros. Apesar da retórica do então presidente, o caso não recebeu tratamento jurídico diferenciado.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









