Ministro Alexandre de Moraes dá 24 horas para Bolsonaro explicar posse de arma apreendida no DF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresente esclarecimentos em até 24 horas sobre a posse de uma arma registrada em seu nome, apreendida na segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (DF).

Moraes requisitou informações sobre o motivo pelo qual Bolsonaro mantinha uma arma de fogo em sua residência, com carregador sobressalente, e por que, próximo ao término do período de prisão domiciliar — previsto para o dia 25 de junho —, teria solicitado o reparo do armamento.

A pistola Glock calibre 9 milímetros estava com o militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, que integra a equipe de segurança do ex-presidente, conforme registros no STF.

Estácio foi encaminhado a uma delegacia e afirmou que levava a arma para conserto devido a uma pane, com a intenção de devolvê-la no dia 16 de junho. O sistema Sigma do Exército Brasileiro confirmou que a pistola pertence a Bolsonaro.

Moraes também solicitou que o tenente-coronel Allenson Lopes, comandante do batalhão da PM responsável pela segurança da prisão domiciliar, informe se os procedimentos de revista nos veículos que saem do condomínio do ex-presidente estão sendo cumpridos, incluindo os veículos oficiais.

O ministro ressaltou que a revista é prevista em ordem judicial, inclusive para os veículos oficiais que fazem a segurança de Bolsonaro, e que os celulares dos agentes do GSI devem permanecer fora da residência.

Durante a abordagem na blitz em Taguatinga, região administrativa do DF, o policial militar Davi Evangelista Alves relatou que a pistola estava no assoalho de um veículo oficial da Presidência da República e que o motorista fechou o vidro de forma repentina.

Inicialmente, Estácio afirmou que a arma constava em sua funcional, mas o policial afirmou que não havia documentação que comprovasse isso. Posteriormente, o militar confirmou que a pistola era de Bolsonaro e que o equipamento ficava dentro do carro.

No depoimento anexado ao processo que trata do cumprimento da pena do ex-presidente, Estácio declarou que informou imediatamente que a arma pertencia a Bolsonaro e que a pistola lhe foi entregue para conserto devido a uma pane aparentemente de fácil solução.

Em nota, a Polícia Militar informou que um militar do Exército Brasileiro que conduzia veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após a apreensão de uma segunda arma de fogo no interior do veículo, além da arma institucional regularmente portada. O abordado não possuía documentação da segunda arma e declarou que ela pertencia a terceiro.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 27 de março, após internação de duas semanas em hospital de Brasília devido a broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista no país.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

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