A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) divulgou em 15 de junho de 2026 um documento reafirmando a orientação para que seus líderes não se envolvam em “qualquer atividade político-partidária”. A medida reforça o princípio da separação entre Igreja e Estado, fundamental para que cada entidade cumpra suas funções sem interferir na outra.
Segundo Jorge Rampogna, diretor de comunicação da igreja na América do Sul, a iniciativa ocorre em razão da proximidade das eleições, considerada uma oportunidade para reafirmar a posição apartidária da instituição. Rampogna destacou que, embora a política seja vista como meio legítimo para defender valores cristãos, o apoio institucional não será dado a quem se candidatar ou atuar em assessorias políticas, sendo vedado inclusive o uso de recursos como o dízimo para financiar campanhas.
Além disso, a igreja recomenda prudência no uso das redes sociais para discussões políticas, ressaltando que temas espirituais e missionários devem receber maior atenção dos fiéis.
O antropólogo Raphael Khalil, que cresceu em família adventista, observa que a IASD mantém um discurso de distanciamento da política, motivado pela crença de que, no fim dos tempos, governos podem perseguir os adventistas por suas práticas religiosas, como a observância do sábado.
A IASD, fundada nos Estados Unidos no século 19, é conhecida pela observância rigorosa do sábado como dia sagrado, além de sua ênfase em saúde, dieta vegetariana e abstinência de álcool e tabaco. No Brasil, a igreja possui cerca de 20 mil congregações e 1,8 milhão de membros, a maior concentração mundial.
Apesar de oficialmente evitar manifestações políticas, muitos adventistas têm aderido ao bolsonarismo, conforme apontam pesquisadores. Khalil recorda que, ainda na adolescência, ouviu referências positivas a Jair Bolsonaro em sua escola bíblica, e que em 2019 o então vice-presidente Hamilton Mourão ministrou uma aula magna no Centro Universitário Adventista de São Paulo.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









