Gianni Infantino, presidente da FIFA, tem sido alvo de críticas de ambientalistas por utilizar um jato particular para se deslocar entre as cidades-sede da Copa do Mundo 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. A competição, que conta com 48 seleções e 104 partidas, ampliou significativamente o impacto ambiental do evento.
Infantino já foi visto em pelo menos 10 partidas em sete dias, viajando frequentemente acompanhado do ex-jogador francês Youri Djorkaeff, seu assessor de futebol. Segundo dados da plataforma norueguesa Josimar, o dirigente ítalo-suíço percorreu cerca de 600 mil km em jatos particulares da Qatar Airways nos três anos anteriores a setembro de 2024.
De acordo com a empresa francesa Greenly, especializada em avaliação da pegada de carbono, uma hora de voo nesse tipo de aeronave emite quase a mesma quantidade de CO₂ que uma pessoa emite em um ano inteiro. Estimativas indicam que, se Infantino continuar a viajar entre cidades diariamente até as oitavas de final e assistir às últimas partidas, seu avião emitirá entre 300 e 500 toneladas de CO₂ durante o torneio, o equivalente à pegada anual de 35 a 55 franceses.
A FIFA afirmou que seus dirigentes escolhem entre voos comerciais ou particulares conforme critérios de eficiência e economia, e que a organização arca com os custos das viagens. No entanto, especialistas como David Gogishvili, geógrafo da Universidade de Lausanne, apontam que a dispersão geográfica dos estádios cria uma dependência estrutural do transporte aéreo, o maior emissor de CO₂.
John Hocevar, do Greenpeace USA, destacou que o uso diário de jatos particulares pelos dirigentes não transmite uma mensagem de consciência climática, especialmente em uma Copa marcada por ondas de calor extremo que afetam jogadores e torcedores.
Essa dispersão geográfica deve se repetir na Copa do Mundo feminina de 2027, no Brasil, e se intensificar no centenário da Copa do Mundo masculina em 2030, com sedes em Marrocos, Portugal, Espanha e partidas na América do Sul.
Além do presidente da FIFA, o uso de jatos particulares é comum entre outros participantes do evento, ampliando o impacto ambiental. A revista britânica Nature revelou que a Copa do Mundo de 2022 no Catar mobilizou 1.846 jatos particulares, número superior ao somado de eventos como o Super Bowl, Festival de Cannes, Fórum Econômico de Davos e COP 28.
O acadêmico americano Tim Walters ressaltou que as emissões associadas à Copa do Mundo são emissões de luxo, não de subsistência, e classificou a ostentação dos ultrarricos durante o evento como obscena e desmoralizante.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









