Uma pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de junho de 2026 apontou que 59% dos brasileiros apoiam, total ou parcialmente, a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Ao mesmo tempo, 74% dos entrevistados rejeitam a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo nacional.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Segundo o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o apoio à classificação das facções como terroristas reflete “um grito de socorro de uma população que teve suas vidas sequestradas e rotinas alteradas pela atuação de facções”. Ele destaca que o sentimento é de que ao menos alguma coisa está sendo feita para combater a violência organizada.
Por outro lado, a percepção sobre a real intenção do governo dos EUA está dividida: 50% acreditam que Washington quer ajudar a população brasileira, enquanto 47% afirmam que os Estados Unidos usam o problema como desculpa para interferir no Brasil.
Essa divisão está relacionada às preferências políticas dos entrevistados, com maior crença na boa intenção americana entre eleitores do PL e Flávio Bolsonaro, e maior suspeita de ingerência entre eleitores do PT e Lula.
Além disso, 83% dos brasileiros afirmam ter conhecimento da nova classificação dos EUA para as facções, e 72% se consideram bem ou razoavelmente informados sobre o assunto.
A cientista política Maria Hermínia Tavares observa que o tema envolve patriotismo e a ideia de autonomia nacional, com a maioria rejeitando a intervenção dos EUA sem consentimento do governo brasileiro.
O levantamento também mostrou que 54% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro teve influência na decisão americana, sendo que 57% desses consideram essa influência negativa para o Brasil.
O tema da segurança pública e da criminalidade aparece como uma das principais preocupações dos brasileiros, influenciando o debate político e as eleições de 2026.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA








