A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) decidiu gravar vídeos com duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após se cansar de uma série de ataques que, segundo aliados, eram coordenados e baseados em informações falsas.
De acordo com pessoas próximas, Michelle usou os vídeos como um desabafo para dar um basta às agressões injustas, machistas e covardes que ela e sua filha mais nova, adolescente, vêm sofrendo.
O irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL), publicou nas redes sociais que ela “contou muito pouco diante de tudo o que tem acontecido” e que já precisou intervir em algumas situações.
“São críticas, cobranças, acusações, injúrias e injustiças. A resposta por muito tempo foi o silêncio. Atacada por muitos até por seu silêncio, não suportou mais tamanha injustiça e resolveu fazer alguns esclarecimentos”, afirmou Eduardo.
Aliados afirmam que os vídeos não foram motivados por um episódio específico, mas por um acúmulo de situações que desgastaram a relação de Michelle com os enteados.
Como exemplo, citam uma publicação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) no X (ex-Twitter), em que ele faz uma indireta à madrasta, afirmando que “não se faz política com o fígado”.
No post, Eduardo elogia o deputado André Fernandes (PL-CE), presidente do PL no Ceará, por sua aliança com Ciro Gomes (PSDB) e agradece a ele e ao pai, Jair Bolsonaro (PL), por “fazerem um trabalho sério e com inteligência”.
Essa declaração foi uma resposta a um vídeo em que Fernandes reafirma a aliança com Ciro para o governo do Ceará, diz que vai votar nele e não no senador Eduardo Girão (Novo-CE), e afirma que Michelle “faz o que ela quiser”.
Quando questionado sobre o que fará se Michelle “estrebuchar”, Fernandes respondeu que “não vai falar de Michelle” e que “do Ceará, nós tomaremos de conta, nós definiremos o que faremos”.
No fim de 2025, o mal-estar entre Michelle e os enteados ficou evidente no palanque do Ceará. A ex-primeira-dama criticou a aliança do PL com Ciro Gomes e declarou apoio a Girão. Em resposta, Flávio, Eduardo, Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan (PL) atacaram-na nas redes sociais.
Michelle mencionou esse episódio nos vídeos divulgados em 24 de junho de 2026, afirmando que Flávio não falou com ela de forma reservada antes de criticá-la e que, ao retornar suas ligações, a desrespeitou e humilhou.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, relatou Michelle.
Outro ponto de atrito é a candidatura ao Senado na chapa do Ceará. Michelle teria expressado tristeza pela decisão do partido de insistir no nome de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, em vez da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL).
Aliados também refutam notícias que dizem que Michelle sente raiva de Flávio por querer ser candidata à Presidência, afirmando que ela não tem interesse em disputar o cargo e nunca se colocou como pré-candidata ao Senado.
Além disso, Michelle é cobrada por sua participação na campanha de Flávio à Presidência, mas quando atua em agendas políticas, especialmente pelo PL Mulher, é criticada por supostamente não dar atenção ao marido.
Pessoas próximas relatam que Michelle soube da pré-candidatura de Flávio pela imprensa e que ele poderia ter tentado melhorar a relação e envolvê-la na campanha naquele momento.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









