O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referiu-se ao governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, como “interventor” durante a cerimônia de assinatura do termo de adesão do estado ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), realizada na manhã desta segunda-feira (22).
O termo atende às críticas feitas por integrantes do PL sobre a permanência de Couto no cargo. Aliados do atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, classificam a manutenção do magistrado no Executivo como uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por sua permanência no governo.
Essa avaliação, compartilhada também por aliados do ex-governador Eduardo Paes (PSD), decorre do fato de a decisão contrariar a linha sucessória do estado. Desde abril, Ruas teve dois pedidos negados pelo STF para assumir o posto.
Durante o evento, Lula e Couto trocaram elogios. O presidente afirmou: “Tudo o que eu desejo é que, ao cumprir sua tarefa de interventor do Rio de Janeiro, o povo saiba que não pode eleger ninguém que não faça aquilo que você está fazendo: cuidar do povo do Rio de Janeiro. Portanto, parabéns, governador. Que Deus lhe dê toda a sorte do mundo e que você possa se transformar no governador que fez as correções necessárias para que o governo dê certo”.
Lula já havia feito acenos a Couto em maio, quando pediu uma salva de palmas para o governador interino e afirmou que “esse homem vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro”.
Ricardo Couto, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio, assumiu o governo em março após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Couto assumiu por ser o último na linha sucessória, já que o estado estava sem vice-governador desde a renúncia de Thiago Pampolha e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, estava afastado por investigação.
O Supremo mantém Couto no cargo até a conclusão do processo que definirá como será escolhido o governador-tampão, que assumirá após a dupla vacância (ausência de governador e vice). A corte discute se a escolha será por eleição direta ou indireta, mas o caso está parado desde que o ministro Flávio Dino pediu vista para análise.
Na semana passada, Couto defendeu sua permanência até a eleição do governador-tampão, estimando que deve permanecer no cargo por cerca de 90 dias, conforme afirmou em palestra do grupo Lide-RJ.
Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA









