Governo do DF cobra R$ 1 milhão de ONG ligada ao filme de Bolsonaro por falhas em convênio educacional

O Governo do Distrito Federal está cobrando R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, por falhas na execução de um convênio na área de educação.

Segundo relatórios da Secretaria de Educação, o ICB entregou kits de robótica que não funcionavam corretamente, não ofereceu suporte técnico adequado e não apresentou a documentação final do projeto. A Fundação de Apoio à Pesquisa do DF enviou à ONG, no dia 12 de junho de 2026, um parecer rejeitando as contas do projeto e efetuando a cobrança. A ONG tem até 15 dias para apresentar defesa, podendo o pagamento ser revisto.

Karina Ferreira da Gama também é sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre Jair Bolsonaro (PL). A produção esteve envolvida em polêmica após a divulgação de diálogos em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitava recursos para o filme a Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master.

O convênio entre o ICB e o Governo do DF foi firmado em 2023 no valor de R$ 4 milhões. Em janeiro de 2025, um aditivo elevou o valor para R$ 5 milhões, sendo que a cobrança atual refere-se a esse aditivo. O governo informou que também reavaliará toda a execução da parceria para apurar possíveis débitos adicionais relacionados a parcelas não executadas ou não comprovadas.

O projeto, chamado Steam Maker, tinha como objetivo permitir que alunos criassem, consertassem e modificassem objetos em laboratórios escolares. O ICB comprometeu-se a entregar gabinetes móveis, notebooks, impressoras 3D, equipamentos de robótica e outros materiais. A meta inicial era atender pelo menos 500 alunos, o que representaria um investimento de R$ 10 mil por estudante, mas os relatórios não indicam quantos foram beneficiados.

Relatos de visitas a escolas do DF indicam que professores reclamaram de falhas nos equipamentos desde 2024, incluindo falta de treinamento adequado e suporte técnico insuficiente, que chegou a ser prestado por meio de vídeos no YouTube. Em outubro de 2025, professores apontaram fragilidade dos materiais entregues, com reparos improvisados para manter os equipamentos funcionando.

Apesar das reclamações, o Governo do DF aprovou a prestação de contas da primeira etapa do convênio e firmou o aditivo com a ONG.

No último dia 12, a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, responsável pela intermediação do convênio, enviou um termo de julgamento das contas ao ICB, reconhecendo preliminarmente a inexecução do objeto do termo aditivo de R$ 1 milhão.

Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que nem todas as metas e entregas previstas foram integralmente comprovadas e que a prestação de contas final está pendente.

Karina Ferreira da Gama comunicou ao governo que aguardava a finalização de um artigo científico da USP sobre o projeto, além de outros dados para o relatório final, e solicitou mais prazo para a prestação de contas, pedido que foi negado.

O ICB, por sua vez, declarou que refuta a interpretação de descumprimento do acordo, afirmando que as atividades previstas foram executadas e que as comprovações estão apresentadas ou em processo de complementação junto aos órgãos responsáveis. A ONG ressaltou que o prazo para apresentação da defesa está aberto.

Fonte: FOLHA DE SP | POLITICA

    Post anterior
    Próximo post

    Postado por:

    Gostou dessa notícia? Avalie e deixe seu comentário abaixo:

    0 0 votos
    Classificação do artigo
    Inscrever-se
    Notificar de
    guest
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado
    Tempo agora
    Clima
    --°C
    Goiânia
    Carregando...
    🌡️ --° / --° 💧 --% 🌬️ -- km/h

    MAIS LIDAS

    CATEGORIAS

    0
    Adoraria saber sua opinião, comente.x