O futebol-arte, conhecido internacionalmente como o “jogo bonito” do Brasil, pode ter suas raízes ligadas a um engenheiro escocês. Archie McLean (1894-1971), funcionário da companhia têxtil J&P Coates, foi enviado ao Rio de Janeiro em 1912 para supervisionar funcionários da fábrica, com uma estadia prevista de quatro a seis meses, mas acabou permanecendo 40 anos no país.
McLean formou o time Scottish Wanderers, composto por imigrantes, e introduziu um estilo de jogo baseado em toques curtos, velocidade e movimentação para ocupar espaços vazios, características que se tornaram a base do futebol brasileiro nas décadas seguintes. A ele também é atribuída a criação da tabelinha e foi um dos primeiros pontas a atuar no Brasil, posição conhecida como “winger” em sua terra natal.
Seu neto, Malcolm McLean, ressaltou a importância do avô na história do futebol brasileiro. Uma placa em sua homenagem está exposta no Scottish Football Museum, dentro do estádio Hampden Park, em Glasgow, Escócia.
O estilo introduzido por McLean contrastava com o futebol praticado anteriormente no Brasil, trazido por Charles Miller, considerado o “inventor” do futebol no país, que seguia o modelo inglês mais físico e de chutões. McLean trouxe a influência do futebol escocês, que desde o primeiro amistoso internacional em 1872 já se destacava pelos passes curtos e jogo coletivo, inspirado pelo Queen’s Park, principal clube escocês da época.
Antes de sua vinda ao Brasil, McLean jogou pelo Ayr United e St Johnstone, clubes da primeira divisão escocesa, e era conhecido pelo apelido “veadinho” devido à sua rapidez e elegância em campo. Ele também foi responsável por disciplinar o estilo de jogo dos brasileiros, eliminando práticas pouco produtivas durante as partidas.
O legado de Archie McLean é reconhecido por especialistas, como o jornalista Thomaz Mazzoni, que o definiu como “um artista e expoente do futebol escocês”.
Este ano, o neto Malcolm McLean viajou ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo de 2026, onde Brasil e Escócia se enfrentam em Miami na fase de grupos, um confronto histórico que já teve quatro encontros anteriores no torneio, com vantagem para o Brasil.
Fonte: FOLHA DE SP | ESPORTES









