Pequim, 12 de junho de 2026 – Robôs equipados com inteligência artificial começaram a atuar em residências chinesas, realizando tarefas domésticas como recolher lixo e dobrar roupas, enquanto coletam dados essenciais para o desenvolvimento da próxima geração desses equipamentos.
Em Pequim, a empregada doméstica Lin Meiqiong, 56 anos, trabalha ao lado do robô Quanta X1 Pro, fabricado pela empresa X Square. O equipamento, que se movimenta sobre rodas e possui câmeras e garras mecânicas, integra uma equipe híbrida de limpeza oferecida pela plataforma chinesa 58.com. O serviço, disponível também em Shenzhen, custa 149 yuans (cerca de R$ 114) por três horas de trabalho.
O robô é introduzido no apartamento com o auxílio de um engenheiro da X Square e utiliza suas câmeras para identificar as áreas que necessitam de limpeza. Enquanto Lin se concentra no chão, o robô recolhe lixo e dobra roupas, ainda com desempenho semelhante ao de uma criança aprendendo a tarefa. Segundo o engenheiro Hu Bowen, versões futuras do Quanta X1 Pro poderão responder a comandos de voz e manter conversas.
Desde o lançamento do serviço em março, cerca de 200 residências já contrataram o robô. Tan Pei, profissional de publicidade, destacou que, apesar das limitações, o robô surpreendeu ao dobrar uma calça com precisão.
Embora robôs chineses já impressionem em apresentações públicas, seu desempenho em ambientes domésticos reais ainda enfrenta desafios. Para a X Square, a operação em residências reais é fundamental para coletar dados que aprimoram a inteligência artificial incorporada, um campo que ainda carece de grandes conjuntos de dados do mundo real, diferentemente dos modelos treinados com conteúdo da internet.
Christoforos Mavrogiannis, da Universidade de Michigan, ressaltou que “é muito mais informativo colocar o robô para trabalhar e estudar o que acontece do que deixá-lo para sempre no laboratório”. Hu Bowen acrescentou que enviar robôs para “ambientes completamente desconhecidos” é desafiador, mas essencial para o desenvolvimento tecnológico.
Além dos robôs domésticos, a China investe em outras aplicações da inteligência artificial incorporada, como robôs que orientam o trânsito em cidades como Hangzhou. A empresa GigaAI planeja enviar 100 robôs para residências em Wuhan ainda este ano, oferecendo testes gratuitos de limpeza.
O setor de IA incorporada na China recebeu investimentos superiores a 57 bilhões de yuans (R$ 43,7 bilhões) em 2026, valor que ultrapassa o total investido no ano anterior, conforme dados da base ITjuzi.
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda está em fase inicial. A habilidade dos robôs para realizar tarefas manuais complexas, como dobrar roupas, não iguala a humana, e o desenvolvimento de mãos robóticas autônomas continua em progresso, segundo Mavrogiannis. Além disso, questões regulatórias, especialmente relacionadas à privacidade, ainda precisam ser resolvidas para a popularização desses equipamentos.
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