Diplomatas apostam em encontro de Lula com Trump no G7 para evitar novas tarifas dos EUA contra o Brasil

Diplomatas brasileiros apostam em encontro entre Lula e Trump no G7 para evitar novas tarifas dos EUA

Brasília – Diplomatas brasileiros envolvidos nas negociações comerciais com os Estados Unidos apostam na possibilidade de um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Donald Trump durante a cúpula do G7, que será realizada na próxima semana na França, para tentar evitar a imposição de novas tarifas americanas contra o Brasil.

O governo brasileiro avalia que as recomendações recentes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para a aplicação de tarifas adicionais têm um caráter político e não consideram os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo dos últimos meses. Entre os pontos citados pelo USTR estão o sistema de pagamentos instantâneos PIX, o etanol, o combate ao desmatamento e questões relacionadas à propriedade intelectual.

A recomendação, baseada na Seção 301 da lei comercial americana, criada na década de 1970, ainda não foi implementada, mas gerou preocupação no governo brasileiro. Desde julho de 2025, quando o governo Trump anunciou a abertura da investigação comercial, representantes dos dois países mantêm diversas conversas por telefone, videoconferência e reuniões presenciais em Washington, nas quais o Brasil apresentou dados oficiais e esclareceu dúvidas, especialmente sobre os esforços para combater o desmatamento ilegal.

Embora o Brasil não faça parte do G7, o presidente Lula foi convidado pelo anfitrião da edição deste ano, o presidente francês Emmanuel Macron. Lula e Trump já se encontraram anteriormente na Malásia, em outubro de 2025, em Washington, em maio deste ano, e tiveram uma breve conversa em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU no ano passado. Integrantes do Palácio do Planalto acreditam que, diante da estagnação das negociações técnicas no USTR, um encontro direto entre os dois líderes pode ser o caminho para destravar as tratativas.

Paralelamente, o Congresso Nacional brasileiro aprovou, com apoio do governo, a chamada Lei da Reciprocidade, que autoriza o Brasil a responder na mesma medida caso algum parceiro comercial imponha barreiras que prejudiquem a economia brasileira. O governo já emitiu dois comunicados oficiais mencionando essa lei. No entanto, diplomatas do Itamaraty afirmam que a prioridade será manter as negociações políticas e diplomáticas, considerando que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e que a aplicação da lei poderia prejudicar o comércio bilateral.

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Paulo Mathias

Colunista - Interage Goiânia.

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