Copa do Mundo começa nesta quinta com formato inédito, em meio a guerra e a política anti-imigração de Trump

Copa do Mundo de 2026 tem início nesta quinta-feira com formato inédito e tensões políticas

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11) com o jogo entre México e África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México. O torneio traz um formato inédito e ocorre em meio a tensões geopolíticas, especialmente envolvendo os Estados Unidos, país que receberá a maior parte das partidas, e sua política anti-imigração sob o governo do presidente Donald Trump.

O Mundial será sediado por três países: México, Canadá e Estados Unidos. Dos 104 jogos previstos, 78 serão realizados em solo americano, que conta com 11 cidades-sede. O México terá três estádios utilizados (Cidade do México, Guadalajara e Monterrey) e o Canadá dois (Vancouver e Toronto). Esta é a primeira vez que a Copa do Mundo é organizada por três nações, após a edição de 2002, que foi dividida entre Japão e Coreia do Sul.

O torneio estreia um novo formato, com 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro times. Os dois primeiros colocados de cada grupo avançam, juntamente com os oito melhores terceiros colocados, totalizando 32 equipes que disputarão a fase eliminatória, que terá uma rodada a mais em relação às edições anteriores.

Entretanto, o evento esportivo também está marcado por controvérsias políticas. A relação entre os Estados Unidos e o Irã, que recomeçou com hostilidades militares em fevereiro, tem repercussões diretas na Copa. A seleção iraniana, que fará todos os seus jogos da fase de grupos em território americano, enfrentou restrições impostas pelo governo Trump. Inicialmente prevista para se hospedar em Tucson, no Arizona, a equipe mudou-se para Tijuana, no México, após os EUA proibirem que jogadores e comissão técnica pernoitassem em solo americano durante o torneio.

Além disso, vários membros da comissão técnica iraniana tiveram seus vistos negados, e os vistos dos jogadores foram aprovados apenas na semana passada. Torcedores iranianos também foram afetados: dois dias antes da abertura da Copa, os EUA anunciaram a retirada da cota de 8% dos ingressos por partida destinada aos fãs do Irã.

Outros participantes do Mundial também sofreram com a política anti-imigração dos EUA. O atacante iraquiano Aymen Hussein, por exemplo, foi detido e interrogado por sete horas ao chegar em solo americano. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escalado para apitar jogos da Copa, foi impedido de entrar nos Estados Unidos e retornou à Somália.

A Copa do Mundo de 2026, portanto, começa não apenas com novidades no formato e na organização, mas também em meio a desafios políticos que impactam atletas, comissões técnicas e torcedores, evidenciando a complexa relação entre esporte e geopolítica.

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Paulo Mathias

Colunista - Interage Goiânia.

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