**Casa Branca será palco do UFC Freedom 250 neste domingo, em meio à Copa do Mundo nos EUA**
*Por Fernanda Brigatti e Luciano Trindade — Brasília e East Rutherford (EUA)*
Em meio à euforia da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, um evento esportivo de outra natureza promete chamar atenção neste domingo (14). Os jardins da Casa Branca, sede do governo americano, receberão o UFC Freedom 250, torneio que integra as celebrações dos 250 anos da independência dos EUA.
A data não é escolhida ao acaso: 14 de junho marca também o aniversário do presidente Donald Trump, conhecido entusiasta do Ultimate Fighting Championship (UFC). Trump, frequentemente presente em eventos da modalidade, mantém uma relação próxima com Dana White, presidente da organização.
Para sediar o evento, foi erguida uma arena no jardim da Casa Branca com capacidade para 4.500 espectadores, cujo custo aproximado foi de US$ 60 milhões (cerca de R$ 305 milhões). Segundo a Casa Branca, todos os custos estão sendo arcados pelo UFC.
Na quinta-feira (11), o Departamento de Estado dos EUA anunciou uma parceria público-privada com o UFC para promover iniciativas de diplomacia esportiva e desenvolver programas educacionais relacionados às artes marciais mistas (MMA). Técnicos e atletas atuarão como embaixadores esportivos, participando de clínicas de treinamento para jovens atletas internacionais.
Trump teve papel importante no crescimento do UFC, ao permitir que eventos de MMA fossem realizados em seus empreendimentos, mesmo quando muitas arenas rejeitavam a modalidade por acusações de violência extrema. A relação próxima entre Trump e Dana White transcende o esporte, funcionando como uma ponte para um público masculino, alinhado a temas militares e políticas conservadoras, como a restrição à imigração.
Especialistas analisam o evento como uma plataforma para Trump reforçar sua imagem de homem viril e esportista, em oposição ao politicamente correto. Michael L. Butterworth, diretor do Centro de Comunicação e Mídia Esportiva da Universidade do Texas em Austin, destaca que o UFC faz parte do universo populista de direita, junto a influenciadores como Ben Shapiro e Clay Travis. Já Kyle W. Kusz, professor da Universidade de Rhode Island, observa que o UFC ajuda Trump a manter apoio entre eleitores interessados em dominância masculina, apesar das divisões políticas recentes.
No âmbito esportivo, o Brasil também estará em destaque no UFC Freedom 250. O lutador Alex Poatan Pereira, descendente do povo pataxó e natural da periferia de São Bernardo do Campo (SP), enfrentará o francês Ciryl Gane na categoria dos pesos pesados. Caso vença, Poatan poderá se tornar uma lenda do MMA ao conquistar cinturões em três categorias diferentes.
O UFC Freedom 250 promete, assim, unir política, cultura e esporte em um cenário inédito, enquanto a Copa do Mundo segue movimentando os Estados Unidos.
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